O impacto do asteroide que levou à extinção dos dinossauros não avianos, há 66 milhões de anos, pode ter produzido uma onda de calor letal em todo o planeta nas primeiras horas após a colisão. Intensificado por uma camada de poeira fina na atmosfera, o pulso térmico teria matado animais expostos e iniciado incêndios em diferentes regiões do mundo.
A hipótese de que o impacto de Chicxulub desencadeou incêndios florestais em uma escala global existe desde a década de 1990, mas permaneceu controversa por falta de evidências geológicas robustas. Um novo estudo combina modelos físicos com registros preservados em rochas do limite entre o Cretáceo e o Paleógeno (K/Pg, na sigla em inglês) e reforça a hipótese de que o calor teve papel central nas primeiras horas da extinção.
A pesquisa, publicada no último dia 28 na revista Journal of Geophysical Research Biogeosciences, foi conduzida por Brandon Johnson. Ele é professor associado do departamento de Ciências da Terra, Atmosféricas e Planetárias, da Universidade Purdue, em West Lafayette (Estados Unidos) e colegas.
Após a colisão, uma pluma de rocha vaporizada se expandiu para além da atmosfera e distribuiu material ao redor da Terra. Durante o resfriamento, parte dele formou esférulas —gotículas de rocha derretida com cerca de 250 micrômetros de diâmetro. Ao reentrarem na atmosfera a vários quilômetros por segundo, elas desaceleraram, convertendo sua energia cinética em calor.










