Magistrado envia caso ao Tribunal de Justiça, que analisa recurso em meio a 'desabafo' de corréu e suposta tentativa de exibir influência com autoridades 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Fachada do Tribunal de Justiça de Alagoas, em Maceió — Foto: Caio Loureiro/TJ O Ministério Público de Alagoas (MPAL) pediu à Justiça estadual a prisão preventiva de um réu acusado de duas tentativas de homicídio depois de ele comprar uma casa em frente à residência do juiz responsável pelo caso. A promotoria aponta que Paulo Augusto de Lima Vieira teria descumprido medidas cautelares e supostamente usado o poder econômico para tentar interferir na ação penal. Vieira foi pronunciado — isto é, será submetido a julgamento do Tribunal do Júri — por duas tentativas de homicídio qualificado em novembro de 2024, em São José da Tapera. A denúncia afirma que ele teria dado apoio logístico a um ataque que, segundo o MP, fora encomendado por José Wanderson dos Santos. O suposto mandante, que está preso, teria oferecido R$ 2 mil a Anderson Flório da Silva e outro homem, identificado como "Jackson", pelo crime. As duas vítimas sobreviveram aos ferimentos. No suposto apoio logístico, Vieira teria fornecido o carro de fuga e uma chácara para que os atiradores se escondessem. Ele ainda teria ajudado José Wanderson a escapar. Os dois e Anderson Flório acabaram presos no dia seguinte ao atentado, mas Vieira obteve a concessão de um habeas corpus. Ao longo do processo, José Wanderson associou a liberdade de Vieira à condição financeira dele. — E eu só estou preso aqui porque não tenho dinheiro. Se eu tivesse dinheiro como Paulo Augusto tem, que gastou mais de um milhão, eu estava na rua, né? — disse o suposto mandante, em declarações reproduzidas pelo site Migalhas. O juiz Elielson dos Santos Pereira, da Vara do único ofício de São José da Tapera/AL, considerou que a declaração foi dada "em tom de desabafo" e que, somada à compra da residência, poderia indicar indicar que Vieira "procura fazer propagar a ideia de que possui influência decorrente de sua condição econômica e facilidade de acesso a autoridades, independentemente de sua efetiva correspondência com a realidade". O magistrado não analisou o pedido de prisão do MP. Em vez disso, encaminhou o caso ao Tribunal de Justiça do estado, no qual já tramitava um recurso relacionado. Pereira declarou sua incompetência funcional, no momento, para revisar as medidas cautelares e determinou que os pedidos da acusação fossem anexados aos documentos a serem analisados pelo relator, o desembargador Tutmés Airan de Albuquerque Melo.
Réu por tentativas de homicídio compra casa em frente à de juiz do caso em Alagoas, e MP pede prisão
Magistrado envia caso ao Tribunal de Justiça, que analisa recurso em meio a 'desabafo' de corréu e suposta tentativa de exibir influência com autoridades






