A bicicleta é uma opção de transporte que reúne uma rara combinação de vantagens econômicas, urbanas, ambientais e de saúde. Considerando faixas de 3,5 m de largura em um fluxo normal, automóveis transportam até 2.000 pessoas por hora, enquanto bicicletas chegam a 12 mil. Um estudo dos anos 1970, imortalizado por Steve Jobs em uma de suas palestras, mostra que o humano de bicicleta é a forma de locomoção que menos consome energia. Além disso, as ciclovias são a infraestrutura de transporte mais barata e simples de construir e manter, demandam investimento mínimo pelo usuário e ainda geram benefícios à saúde.

Como alternativa ao carro, as bicicletas ajudam a aliviar congestionamentos e reduzir a poluição —em São Paulo, por exemplo, 73% da emissão de gases de efeito estufa vêm dos carros particulares. Também possibilitam a redução do sedentarismo e uma exposição maior a ambientes externos e à luz solar. Mas apenas 6,2% dos brasileiros usam a bicicleta para ir ao trabalho. Por quê?

O problema não está na bicicleta, nem na cultura local. Nas cidades brasileiras, pedalar é quase sempre inseguro pela ausência ou baixa qualidade das ciclovias.

Por décadas, o planejamento urbano priorizou automóveis nos investimentos e na distribuição do espaço viário, e dividir espaço com carros é um risco imenso para ciclistas. Onde raras ciclovias existem, são estreitas, desprotegidas —sem uma barreira física de separação dos carros— e não há continuidade nos trajetos.