Quem pedala em São Paulo sempre precisou disputar espaço com carros, motos, ônibus e com os mais de 470 mil ciclistas que circulam diariamente pela região metropolitana. Nos últimos anos, porém, novos personagens entraram nessa equação: bicicletas elétricas, patinetes, monociclos e outros equipamentos autopropelidos passaram a ocupar ciclovias e ruas, mais velozes e mais pesados do que bicicletas convencionais e sem regulamentação municipal específica para disciplinar essa convivência.
"Eu estava na ciclovia, à noite, e percebi uma luz forte e alguém colado atrás de mim. O espaço é muito estreito para passar com essas 'motocas', mas ele veio me pressionando como se fosse um carro, pedindo passagem, buzinando. Quando finalmente consegui abrir espaço, ele passou me xingando", conta o radialista Gabriel Reis, 35, que utiliza a bicicleta como meio de transporte há 15 anos.
O número de bicicletas elétricas em circulação no Brasil passou de 7.600 em 2016 para 284 mil em 2024, segundo a Aliança Bike. Para equipamentos autopropelidos, como patinetes, a entidade estima que existam cerca de 850 mil unidades no país.
Esse crescimento levou a Prefeitura de São Paulo a abrir, em maio, uma consulta pública sobre sua regulamentação. Encerrado em 8 de junho com mais de 270 contribuições, o processo, que abordava limites de velocidade, regras e áreas de circulação, levantou um debate que vai além da legislação: como fazer diferentes veículos conviverem com segurança na mesma infraestrutura —especialmente aqueles que dependem dela para ter renda?









