Ver o filme "A Odisseia", de Christopher Nolan é saber que não se trata de uma adaptação definitiva da obra clássica de Homero. O longa atualmente em cartaz é fruto da interpretação do diretor, assim como acontece com todas as traduções da obra em livro.

Para os que não leem grego, o mercado editorial fornece dezenas de versões trazidas para o português que buscam superar as barreiras culturais, históricas e linguísticas do texto original.

Como escreveu o argentino Jorge Luis Borges no ensaio "As Versões Homéricas", de 1932: "A ‘Odisseia’, graças ao meu oportuno desconhecimento do grego, é uma biblioteca." É o mesmo que ecoam os tradutores da atualidade. A diversidade de traduções enriquece a obra de Homero e multiplica os mais de 12 mil versos do poema em um número imensurável.

No texto, Borges diz que, no caso de uma obra tão famosa como "Odisseia", a primeira leitura é, na verdade, a segunda, já que o leitor abre o livro já sabendo algo sobre ele. O filme só reforça isso. Não à toa, Nolan chegou a citar a tradução da classicista Emily Wilson como referência para sua adaptação.

Ela, a primeira mulher a fazer esse trabalho, ficou célebre por ter publicado, em 2017, uma versão em inglês do clássico em linguagem moderna, abrindo o épico com o verso "fale-me desse homem complicado". Apesar disso, Wilson criticou a versão de Nolan num texto que viralizou.