A natureza não está nem aí para os nomes que damos às coisas. São apenas rótulos criados para organizar nosso conhecimento, e por vezes o Universo nos desafia com exemplos que parecem não se encaixar direito em nossa nomenclatura usual. Entra nessa lista uma detecção feita por um grupo internacional de astrônomos liderados por Kevin Hoy, da Universidade Diego Portales, no Chile, e do Observatório Europeu do Sul (ESO). Eles publicaram na revista Nature evidências do que seria um "exossatélite com massa planetária detectado ao redor de uma companheira subestelar de uma estrela". Repare no esforço para ser preciso diante de tanto ruído na nomenclatura.
Se é exossatélite não deveria ser exolua? Se é companheira subestelar, não é exoplaneta? Pois é, a confusão começa porque o objeto CD-35 2722 B não é propriamente um planeta, mas algo que os astrônomos classificam como uma anã marrom –uma estrela abortada, um objeto que não juntou massa suficiente durante sua formação para iniciar o processo de fusão nuclear que faria dela uma estrela de fato.
A divisão arbitrária entre planetas gigantes gasosos e anãs marrons fica em torno de 13 massas de Júpiter. Quem tem menos não consegue nem fazer uma fusão efêmera de deutério, e é tido como planeta. Quem tem mais, é anã marrom. E quem tem mais de 80 já faz fusão plena de hidrogênio e é estrela. O nosso CD-35 2722 B tem 37 massas de Júpiter. Não há dúvida quanto à classificação. Poderia ser um astro solitário, como muitas anãs marrons que há por aí, mas esse gira em torno de uma anã vermelha, uma estrela com 40% da massa do Sol, em uma órbita alongada, dando uma volta a cada 5.000 anos.









