Pela primeira vez, astrônomos detectam a presença de uma atmosfera num exoplaneta rochoso a orbitar a zona habitável de uma estrela anã vermelha, passo essencial na busca por vida fora do Sistema Solar.
O planeta em questão é o LHS 1140b, localizado a 48 anos-luz da Terra. Ele está longe de ser um alvo ideal para essa ambiciosa busca. Mas é um alvo possível. Idealmente, o mais lógico seria estudar planetas que guardassem a maior similaridade possível com o nosso, ou seja, orbitassem uma estrela como o Sol, tivessem mais ou menos o mesmo tamanho da Terra e estivessem na chamada zona habitável do sistema –região em que a distância entre o planeta e sua estrela-mãe viabiliza a presença de água na superfície.
Ocorre que ainda não temos satélites capazes de descobrir esses mundos (em breve teremos, com o lançamento do europeu Plato, em março de 2027) e mesmo nossos telescópios espaciais mais potentes, como o James Webb, teriam dificuldades em estudá-los.
Para essa fase inicial de caracterização e estudo de exoplanetas rochosos, a pesquisa está limitada aos que orbitam as anãs vermelhas. São as menores e mais frias estrelas que existem, mas paradoxalmente são estrelas muito ativas, que vivem disparando furiosas rajadas de ultravioleta e raios X, sobretudo em sua juventude. Por essa razão, muitos astrônomos consideravam impossível que um planeta conseguisse preservar uma atmosfera pelos bilhões de anos exigidos para a evolução biológica. Ela logo seria varrida pela potente radiação estelar.








