Em coluna anterior, explorei o crescimento acelerado das stablecoins, suas potencialidades e os riscos que começavam a emergir: dolarização gradual de economias menores e desintermediação bancária. Os números desde então continuam a surpreender. O volume total de stablecoins saltou de menos de US$ 7 bilhões em 2020 para mais de US$ 315 bilhões na primeira metade de 2026.
Dois emissores dominam o mercado: a Tether, com cerca de US$ 190 bilhões em circulação, e a Circle, com aproximadamente US$ 80 bilhões. Em 2025, o volume ajustado de transações cresceu 91%, chegando a quase US$ 11 trilhões —cifra comparável ao processamento anual da Visa. A tecnologia mostra que o dinheiro pode mover-se na velocidade da internet. O que ainda não provou é se esse movimento vai na direção correta.
A evidência mais recente sugere um paradoxo: quanto mais crescem as stablecoins, mais se afastam do propósito original para o qual foram concebidas. Nasceram como meio de pagamento: instantâneo, barato, sem fronteiras. Mas comportam-se cada vez mais como reserva de valor e grande parte de suas aplicações está restrita a negociações no ecossistema cripto.
O Genius Act, aprovado nos EUA em julho de 2025, proibiu que tokens de pagamento remunerem juros diretamente ao detentor. Em vez de matar o rendimento, a lei bifurcou o mercado: de um lado, tokens "puros" como USDT e USDC; de outro, uma classe crescente de produtos que repassam retornos de 3% a 5% investindo em títulos do Tesouro americano.






