O volume de pagamentos com cartões de criptomoedas cresceu 48,6% no acumulado de 2026 até maio, segundo relatório mensal da Binance Research, braço de pesquisa da exchange de criptoativos. Somente em maio, essas transações ultrapassaram US$ 747 milhões, levando o volume acumulado para perto de US$ 8 bilhões. Os dados indicam um avanço do uso de stablecoins em pagamentos, ainda que esse mercado continue concentrado em nichos específicos. Stablecoins são criptoativos que buscam manter paridade com uma moeda de referência, como o dólar, e costumam ser usados para transferências, liquidação de operações e proteção contra volatilidade dentro do mercado cripto. Segundo a Binance Research, a oferta de stablecoins cresceu 3,2% no período, de cerca de US$ 311 bilhões para US$ 321 bilhões, enquanto o volume com cartões cripto avançou 48,6%. “Os gastos vinculados a cartões estão crescendo em ritmo aproximadamente duas vezes maior que a oferta subjacente, indicando que as stablecoins estão funcionando cada vez mais como instrumento de pagamento, e não apenas como garantia ou reserva de valor”, afirma o relatório. A casa de análise diz ainda que os cartões cripto, mais do que as transferências diretas em blockchain, aparecem como um dos principais canais de crescimento para o uso de stablecoins no varejo. O estudo aponta ainda uma mudança na distribuição desse volume entre redes blockchain. O Ethereum concentrava 53% da oferta de stablecoins, mas respondia por 12% do volume mensal de transações com cartões cripto em maio. Já redes como BNB Chain e Solana apareciam com fatias de 14% e 12% do volume, respectivamente. Para a Binance Research, a camada de liquidação dos cartões cripto está desenvolvendo “sua própria estrutura de mercado”, nem sempre alinhada à rede que concentra a maior liquidez em stablecoins. O relatório também tratou da correção do mercado de criptomoedas em maio. A capitalização total do setor caiu 3,3%, para US$ 2,55 trilhões, em um mês marcado por maior pressão macroeconômica. Segundo a análise, a alta dos juros reais e a piora das expectativas de inflação nos Estados Unidos pesaram sobre os ativos digitais, enquanto saídas de ETFs à vista de bitcoin e ether refletiram a pressão de curto prazo sobre o mercado. Entre os segmentos que se destacaram no mês, o relatório aponta os projetos ligados à chamada resistência quântica, área que reúne criptoativos e tecnologias voltadas à proteção contra potenciais riscos trazidos pela computação quântica. Segundo a Binance Research, esse grupo teve desempenho 59,3% superior ao bitcoin em maio, com destaque para a Zcash, que subiu 57,3% no mês. Outro tema destacado foi a expansão dos ativos reais tokenizados, conhecidos pela sigla RWA. O valor de mercado ativo desse segmento cresceu cerca de 589% desde o início de 2025 até junho de 2026, de acordo com o relatório. A maior contribuição em valor veio de títulos e fundos de mercado monetário, que adicionaram US$ 6,5 bilhões no período, impulsionados por iniciativas de gestoras e empresas do setor cripto. “2026 marca o amadurecimento da tokenização de ativos reais, de uma narrativa dominada por títulos do Tesouro para um ecossistema diversificado de rendimento”, afirma a Binance Research. O relatório cita a expansão para outras classes de ativos, como ações, metais preciosos, crédito privado e estratégias mais específicas, incluindo resseguros, tokenização de infraestrutura física e operações ligadas a hipotecas.