As princesas do antigo Egito não parecem ter liderado exércitos em combate –em geral, essa era uma tarefa para o faraó e seus generais–, mas ao menos algumas delas tinham excelente treinamento militar. A prova está em seus ossos: um novo estudo revelou modificações na estrutura do esqueleto que batem com o uso rotineiro do arco e flecha ou de armas de mão.

As pistas que permitiram essa conclusão estão descritas em artigo no periódico Frontiers in Environmental Archaeology, publicado no último dia 16.

A equipe de pesquisadores, liderada por Zeinab Hashesh, da Universidade de Beni-Suef (Egito), analisou múmias da realeza egípcia datadas do chamado Médio Império, mais ou menos entre 1850 a.C. e 1700 a.C. (Para fins de periodização, os milênios de monarquia egípcia independente costumam ser divididos em Antigo, Médio e Novo Império, separados entre si pelos chamados períodos intermediários, em que há fragmentação política na região.)

Acima; adaga que pertencia à princesa egípcia Ita; abaixo, flechas da princesa Noub-Hotep - Hashesh et al., Frontiers in Environmental Archaeology (2026)/Reprodução

As múmias estudadas por Hashesh e seus colegas estão longe de ser novidade, a rigor: foram encontradas nos anos 1890 no complexo funerário de Dahshur. A região correspondia ao cemitério real do antigo Egito durante o governo de Amenemhat 2º, na 12º dinastia egípcia, e abriga também uma série de pirâmides.