Senador Jaques Wagner (à dir.) participa de sabatina de Jorge Messias (à esq.) em sessão da CCJ — Foto: Geraldo Magela/Agência Senado Relatório da Polícia Federal (PF) enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) revela que o senador Jaques Wagner (PT-BA) articulou um encontro “discreto” em seu gabinete entre o ex-sócio do Banco Master Augusto Ferreira Lima e o advogado-geral da União, Jorge Messias, em 2024. O ministro da AGU nega que o encontro tenha ocorrido. A partir da análise de material extraído do celular do empresário, os investigadores descrevem tratativas relacionadas à tentativa de marcar um encontro entre os três, a ser realizado no gabinete do parlamentar. Em 29 de abril de 2024, o senador manda uma mensagem de áudio a Lima, afirmando que falou com “Messias” e tentando reagendar o encontro para 12h do dia seguinte, em vez de no período da manhã. Na mensagem, Wagner ainda diz que acha que o melhor lugar para a reunião seria em seu gabinete no Senado, por ser “mais discreto para todo mundo”. “Para ele é natural estar lá, você já esteve várias vezes lá com André... Então não teria tanta atenção chamada. Até porque eu posso ir lá embaixo, chegar mais ou menos junto com você na hora que for marcada e subo e você não precisa nem passar pela identificação”, disse o ex-líder do governo no Senado ao ex-sócio do Master. No dia seguinte, perto do horário mencionado no áudio, Wagner recebe uma ligação de Lima, mas não atende. O empresário, então, envia uma mensagem dizendo: “Oi, amigo. Cheguei. Abs”. Duas horas após o encontro que, em tese, teria contado com a presença de Messias, a PF identificou um registro no chat entre Augusto Lima e Jorge Messias, de que ele teria adicionado o contato do ex-sócio do Master e ativado as mensagens temporárias. Em nota, o AGU disse que “não participou de reunião com Augusto Lima no gabinete do senador Jaques Wagner no Senado”. O Valor também entrou em contato com os advogados do senador Jaques Wagner e a de Augusto Lima, mas ainda não houve uma manifestação. Nesta manhã, o senador disse em entrevista à Rádio Baiana FM que vai provar sua inocência, mas que não comentará o mérito das investigações enquanto o inquérito estiver em andamento. O documento faz parte da investigação no STF que mira suposta atuação de Wagner para beneficiar o Master, cujo sigilo foi derrubado ontem pelo relator do caso, ministro André Mendonça. Relembre o caso A principal suspeita sobre ele envolve a compra de um apartamento de luxo de cerca de R$ 2,45 milhões, no bairro do Horto florestal, em Salvador (BA), por meio de Lima. A PF apura se o parlamentar teria atuado para atender aos interesses do ex-sócio de Vorcaro e do banco enquanto mantinha uma relação de proximidade com ele, em troca de supostas vantagens. De acordo com as investigações, as tratativas sobre a aquisição de um apartamento de luxo para Wagner não pararam nem depois da deflagração da primeira fase da Compliance Zero, que prendeu pela primeira vez Daniel Vorcaro, dono do Master. “Documentos extraídos dos dispositivos analisados demonstram que, mesmo após a deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, as tratativas sobre o imóvel prosseguiram”, disse a PF. O imóvel teria sido adquirido por Lima por meio de uma cadeia de fundos de investimentos ligados ao Master, à gestora Reag, à época controlada por João Carlos Mansur, e a outro investigado. Além do imóvel, estariam entre as supostas vantagens, segundo a PF, compras de ingressos de shows da cantora Taylor Swift para familiares do senador, no valor de R$ 63 mil, e viagens em jatinho emprestado de Lima. Durante o cumprimento das medidas na operação também foram encontrados US$ 49 mil e 33,5 mil euros em espécie em locais ligados ao senador. Segundo a PF, entre os interesses em que Wagner teria atuado no Congresso para favorecer o Master estariam uma emenda que trata da ampliação de crédito consignado e a "emenda Master", que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), apresentada por Ciro Nogueira (PP-PI). Em fase anterior da operação, os investigadores apontaram a suspeita de que o próprio banco escreveu o texto. Após a operação, a defesa de Wagner buscou a anulação da operação, dizendo que ele jamais atuou para favorecer o Master. "Prova disso é que a única emenda de sua autoria sobre o tema, apresentada à Medida Provisória 1106/2022, propunha limitar juros e proteger os consumidores, justamento o contrário dos interesses do banco", disse. Além disso, afirmou que o senador se posicionou contra a emenda Master e disse que os valores encontrados em espécie vinham de diárias pagas pelo Senado para missões no exterior e de operações oficiais junto a instituição financeira, sendo lícitas e de origem comprovada.
Jaques Wagner tentou marcar encontro entre Messias e ex-sócio do Master em 2024, diz PF
Jaques Wagner tentou marcar encontro entre Messias e ex-sócio do Master em 2024, diz PF










