O Brasil ainda estava sob a ditadura militar quando a Plebe Rude lançou "O Concreto Já Rachou", o primeiro álbum da banda, em 1986. Para celebrar os 40 anos das canções que contestavam a desigualdade social e econômica da época, a banda prepara um documentário sobre a história dos garotos de Brasília e lançou no streaming uma nova versão da música que abre o disco, "Até Quando Esperar", com participações de Herbert Vianna e Jaques Morelenbaum.

Uma edição especial em vinil de "O Concreto Já Rachou", com as sete músicas do LP, e um compacto com versões demo fazem parte das comemorações do álbum e dos 45 anos da Plebe Rude. E um disco de inéditas também deve ser lançado em breve.

Para o guitarrista e vocalista Philippe Seabra, revisitar o próprio trabalho tem um lado doce e outro amargo. "Como compositor e artista, você fica feliz com a relevância da obra. Mas tem um lado, como pai e cidadão, que você fica meio zangado porque a letra não envelheceu. Das duas, uma: ou a gente era vidente, ou o país não mudou nada. Então, nesse aspecto, [regravar "Até Quando Esperar"] me incomoda, pois a mensagem ainda ressoa", diz Seabra.

Segundo o guitarrista, a faixa continua atual porque o principal questionamento da música segue sem resposta. "A desigualdade social é o inimigo de tudo, e é muito triste ver isso em um país tão rico como o Brasil. A música não estava pedindo muito, só questionava ‘cadê nossa fração? Cadê sua fração?’."