O punk celebra meio século no Brasil, mostrando que fez a cabeça de muita gente. Desde as escutas coletivas iniciadas na segunda metade de 1976, em Brasília, por filhos de diplomatas que tinham acesso às revistas, aos álbuns e gravadores vindos da Inglaterra e Estados Unidos, o movimento construiu um legado sem fronteiras. Moldou a consciência de jovens periféricos, questionou masculinidades e o lugar das mulheres na cena. Transformou roupa em discurso e invadiu passarelas, galerias, livrarias e outras formas de arte.
Em Brasília, o movimento ganhou corpo através da troca de fitas gravadas e de festas alternativas —ou seja, reuniões para tomar vinho e escutar discos na beira do lago Paranoá. À Folha, o cantor, compositor e co-fundador da Plebe Rude, Philippe Seabra, conta que chegou dos Estados Unidos em 1976 e cinco anos mais tarde, em 1981, conheceu André Muller, que trouxe daquele país uma série de álbuns clássicos.
A lista inclui The Clash, Buzzcocks, The Damned, XTC e Killing Joke. Os lançamentos chegavam nos malotes diplomáticos, que também traziam revistas temáticas. "A gente conseguiu o disco do Depeche Mode uma semana depois de lançado", diz. Além dos álbuns, o grupo tinha acesso às revistas Enemy e gravadores do tipo RCA Small Wonder.











