Quando o funk carioca emergiu nas favelas do Rio de Janeiro, no início dos anos 1990, trazia a marca da rebeldia periférica. Naquele primeiro momento, ganhou força o chamado proibidão, com letras sobre o cotidiano do tráfico de drogas, os confrontos com a polícia e a vida sob tensão nos territórios populares.

Com o tempo, o gênero se transformou. Vieram o funk melody, de letras mais românticas, e, no início deste século, o funk ousadia, marcado por uma abordagem mais explícita do sexo e da sexualidade. Foi justamente esse subgênero que passou a concentrar parte das críticas mais duras ao funk — quase sempre sem contexto, sem escuta e sem uma reflexão mais profunda sobre as trajetórias de seus personagens.

É nesse território que entra Massa Funkeira. Dirigido por Ana Rieper, o documentário de 90 minutos mergulha no universo do funk ousadia para mostrar não apenas a estética, os corpos e as letras, mas também as histórias de sobrevivência, trabalho e afirmação por trás do movimento. O longa integra a competição nacional do In-Edit Brasil – Festival Internacional do Documentário Musical, que acontece entre 17 e 28 de junho, em São Paulo.

Uma das personagens mais emblemáticas do filme é MC Dandara. Abandonada pela mãe aos 6 anos no Maranhão, ela passou por diferentes famílias até fugir de casa após sofrer violência doméstica. Mais tarde, mudou-se para o Rio de Janeiro com o sonho de ser cantora.