Coordenador do programa de governo afirmou que a recuperação de níveis maiores e sustentáveis de crescimento econômico passa pela redução da incerteza sobre a trajetória das contas públicas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ronaldo Caiado, pré-candidato à Presidência pelo PSD — Foto: Cristiano Mariz/20-5-2026 A redução das emendas parlamentares e um limite mais rígido para o crescimento das despesas públicas são dois dos principais pontos da estratégia de ajuste fiscal que poderá ser implementada em caso de eleição do ex-governador de Goiás e candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado. Em entrevista ao GLOBO, o coordenador do programa de governo da campanha de Caiado, Roberto Brant, afirmou que a recuperação de níveis maiores e sustentáveis de crescimento econômico passa pela redução da incerteza sobre a trajetória das contas públicas, permitindo queda dos juros e retomada do investimento privado. Fazer isso incluiria diminuir o peso de emendas parlamentares, além de outras medidas, como rever super salários nos Poderes e diminuir o ritmo de alta do teto de gastos atual, o que envolveria uma espécie de pacto entre os Poderes. — Congelar (as emendas) é muito pouco, elas são exorbitantes. Além disso, são um processo de captura de recurso público, que é, inclusive, indigno do ponto de vista moral — disse. Segundo ele, em um primeiro momento o espaço aberto por uma redução nessa rubrica seria direcionado para aumentar o resultado primário. — Em um segundo momento, começa a criar espaço fiscal para o investimento — completou. Ele reconhece a dificuldade política em torno do tema e salienta que isso vai demandar um grande esforço de articulação e formação de maioria parlamentar. — (O atual volume de emendas, da ordem de R$ 60 bilhões) é insustentável sob qualquer ponto de vista. Não existe nenhum parlamento do mundo. Nós vamos enfrentar essa questão de frente. Você vai dizer, ah, nós não temos maioria parlamentar. Nós vamos tentar criar uma maioria parlamentar diferente do que o Lula criou — salientou. Brant afirmou que um eventual governo Caiado pretende enfrentar o tema diretamente, argumentando que a expansão desses recursos reduziu a capacidade de planejamento do Executivo e comprometeu a execução de políticas públicas de longo prazo. Segundo o coordenador, a redução de emendas se insere numa discussão mais que prevê conter o ritmo de crescimento real das despesas para algo próximo de 1% ao ano, bem abaixo dos 2,5% além do IPCA que vem sendo a tônica nesses anos. A leitura é que uma expansão menor do gasto público não só ajudaria a conter o avanço da dívida como daria um sinal importante para reforçar a confiança de investidores e agentes econômicos. — Crescer as despesas 2,5% é muito alto, é praticamente o que a economia consegue crescer. Isso deveria ser reduzido para no máximo 1% porque precisamos de espaço para melhorar o resultado primário. Nós temos que sinalizar, os agentes precisam acreditar que o Estado está indo em uma direção. Nesse sentido, ele criticou a atual gestão da política fiscal afirmando que, apesar de o teto crescendo 2,5% ter sido criado por Lula, o governo estaria recorrentemente driblando essa restrição, além de forçar medidas arrecadatórias. — Não vamos criar nenhuma despesa para contornar as exigências do arcabouço, não vamos fazer nenhuma mentira fiscal. Vamos reduzir a expansão das despesas correntes, que não criam produtividade. Cada hora esse governo cria uma despesa puramente eleitoral — afirmou. Na avaliação dele, a sinalização de compromisso permanente com o controle dos gastos teria impacto relevante sobre as expectativas do mercado, contribuindo para a redução dos juros, hoje apontados como um dos principais fatores de pressão sobre a dívida pública. Ajuste compartilhado A proposta também parte do diagnóstico de que o desequilíbrio fiscal não decorre apenas das decisões do Executivo. Brant defendeu discutir permanentemente o impacto fiscal de políticas públicas e criticou mecanismos que, em sua avaliação, contribuem para a expansão das despesas, como os salários do Judiciário. — Essa questão dos salários está indignando todo mundo. Salários de R$ 80, R$ 100 mil não existem nem nos EUA, na França, só existe no Brasil. É claramente uma distorção institucional. Nós precisamos requalificar um pouco o funcionamento do Estado, com essa discrepância de salários (do Judiciário e do Legislativo) é um desequilíbrio muito grande. O coordenador do programa também incluiu na agenda de um eventual governo Caiado o envio de uma proposta para acabar com a reeleição, a discussão de uma nova reforma da Previdência e medidas voltadas ao aumento da produtividade da economia. Brant diz que haverá um cardápio de medidas fiscais que estarão disponíveis para serem negociadas com a classe política, caso Caiado seja eleito. Ele evita avançar em detalhes sobre outras medidas mais duras para melhorar as contas públicas. — A visão do Caiado é que tem que ter um cardápio de coisas duras a serem feitas e vai negociar com o Congresso e ver como se pode transitar com o que tem menor resistência. Ele não tem a pretensão de fazer tudo o que precisa em quatro anos — salientou, dizendo que o ex-governador quer acabar com a reeleição. Questionado se nesse cardápio estaria incluída uma nova reforma da Previdência, Brant, que foi ministro da área no governo Fernando Henrique, diz que, pessoalmente, avalia que todos os países periodicamente precisam ajustar seus regimes por conta das mudanças do mercado de trabalho e da expectativa de vida, entre outros fatores. — Seria ingênuo da nossa parte escolher um tema desses antes de saber que Congresso nós vamos ter. O que nós vamos estabelecer é uma firme vontade de consolidar fiscal e não vamos sair desse caminho — enfatizou. O ex-ministro afirmou que não há intenção de mudar a política cambial e também não há discussão de rever meta de inflação, ainda que ele considera que o objetivo de 3% tenha sido uma decisão errada. — Essa meta de 3% é uma coisa que só foi atingida duas vezes, mas que não pode ser mexida no momento. Não mudaríamos a meta porque seria um sinal contrário para as expectativas. Você está exigindo um esforço desmesurado do Banco Central para chegar em uma meta que é praticamente a dos Estados Unidos. Isso foi um erro do BC em um momento de euforia. Mas nós não vamos mexer nisso porque vamos trabalhar as expectativas e, para isso, a meta tem que ficar onde está.
Corte de emendas parlamentares, teto mais duro para gastos e outras ideias econômicas da campanha de Ronaldo Caiado
Coordenador do programa de governo afirmou que a recuperação de níveis maiores e sustentáveis de crescimento econômico passa pela redução da incerteza sobre a trajetória das contas públicas












