Em entrevista, candidato afirma que estrutura do seu partido compensará falta de alianças nos Estados Ronaldo Caiado em ato do PSD ao lado de Kassab, em março — Foto: Edilson Dantas /Agência O Globo O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, relativizou nesta terça-feira (28) as dificuldades que vem enfrentando na montagem de palanques estaduais. Com poucos candidatos competitivos a governador apoiando seu projeto, ele disse apostar suas fichas na capilaridade do partido e na capacidade de articulação do presidente nacional do PSD e seu candidato a vice, Gilberto Kassab. Durante entrevista ao portal Metrópoles, Caiado garantiu que já conta com palanques em todos os Estados e no Distrito Federal e disse que a estrutura partidária é suficiente para impulsionar sua candidatura, independentemente de alianças locais. “O PSD é um partido que tem o maior número de prefeituras no Brasil. Com o Kassab, que tem uma capacidade ímpar de articulação, eu posso garantir que já tenho 26 palanques nos Estados e, com o Distrito Federal, 27”, afirmou. O candidato disse que o partido mantém conversas para ampliar as alianças em alguns Estados. Citou a Bahia, onde afirmou que apoiará a candidatura de ACM Neto, e o Ceará, onde disse haver “uma convergência muito grande” com o ex-ministro Ciro Gomes, embora tenha ressaltado que ainda não existe acordo formal. Caiado também mencionou articulações em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. Segundo ele, a presença do PSD nas administrações municipais dará sustentação à campanha presidencial. “Essa força política não pode ser menosprezada. Essa força política vai entrar em campo e vai entrar forte”, afirmou. Ao ser questionado sobre a estratégia eleitoral, Caiado respondeu que aposta na estrutura partidária para compensar a falta de alianças mais amplas. “Sem dúvida alguma. É o partido mais bem estruturado do país hoje. Não há nenhum partido político que tenha a densidade do PSD”, disse. Idade mínima para STF Durante a entrevista, Caiado disse que, se eleito, vai defender mudanças nas regras para ingresso no Supremo Tribunal Federal (STF). Entre as alterações defendidas por ele está a idade mínima de 60 anos e maior rigor no cumprimento dos requisitos técnicos para o cargo. O candidato afirmou ser “extremamente favorável” à adoção de critérios mais rígidos para a escolha dos ministros da Corte e disse que pretende encaminhar a proposta em articulação com o Congresso Nacional. Segundo Caiado, os indicados devem ter vida pregressa ilibada e reconhecimento no meio jurídico, evitando nomeações motivadas por relações pessoais. “Você não governa para esse nível de intimidade. Você é presidente da República; você não é pessoa física”, afirmou. Caiado também criticou a indicação de ministros jovens, argumentando que isso permite permanência excessivamente longa no tribunal. “Você não vai botar um amigo seu lá que tem 35 anos de idade para ficar 40 anos lá”, disse. O candidato afirmou ainda que os ministros do STF devem atuar com total independência. “O Supremo não pode ter porta-voz de ninguém”, declarou, ao defender que as nomeações sejam orientadas pela imparcialidade, e não por interesses do presidente da República. Emendas parlamentares O candidato do PSD voltou a criticar o atual modelo das emendas parlamentares e disse acreditar que o Congresso vai abrir mão de parte desses recursos caso ele seja eleito. De acordo com Caiado, o argumento será de que o país precisará de uma “economia de guerra” para enfrentar as dificuldades fiscais que, segundo ele, se revelarão a partir de 2027. O ex-governador de Goiás afirmou que pretende negociar diretamente com os presidentes da Câmara e do Senado e com os líderes partidários para reduzir o montante destinado às emendas, hoje estimados em quase R$ 60 bilhões. Questionado se acredita que o Congresso aceitaria reduzir esse espaço no Orçamento, respondeu quem sim: “Em troca da governabilidade do Brasil”. Segundo o candidato, o Orçamento de 2027 já estaria comprometido pelas medidas adotadas pelo governo. “O projeto de 2027, na mão do PT, é Dilma 2”, afirmou, acrescentando que a deterioração fiscal, prevista por ele para ocorrer após as eleições, teria sido antecipada. Caiado defendeu que todos os Poderes participem do esforço de ajuste das contas públicas. “Agora é economia de guerra. Você não conserta o Brasil diante de uma desordem como essa sem que todos entrem no processo”, disse.