Segundo o ex-governador, a disputa presidencial não depende de uma vinculação automática com os palanques estaduais e o eleitor tende a fazer escolhas distintas para cada cargo O ex-governador de Goiás e pré-candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, minimizou o fato de governadores e lideranças estaduais, inclusive do próprio partido, já terem declarado apoio a outros presidenciáveis, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo ele, a disputa presidencial não depende de uma vinculação automática com os palanques estaduais e o eleitor tende a fazer escolhas distintas para cada cargo. No Rio de Janeiro, por exemplo, o prefeito Eduardo Paes (PSD), pré-candidato ao governo do Estado, apoia Lula, mas tem feito acenos à direita e evitado nacionalizar a disputa. Caiado afirmou que a direção nacional da legenda definiu que ele terá um comitê conjunto com Paes no Rio, assim como com Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo. "Essa decisão foi conversada pelo presidente do nosso partido, Gilberto Kassab, com o candidato a governador, Eduardo Paes. Terei aqui um comitê com o Eduardo Paes, como terei em São Paulo um comitê com o Tarcísio de Freitas", disse ao Valor após um evento com empresários na zona sul do Rio. Para o governador, a escolha para presidente "é um voto muito pessoal", no qual o eleitor avalia separadamente o que considera melhor para si, para seu Estado e para o país. "Não tem essa verticalização do voto. Eu acho que esse é o momento de se discutir isso. Não é obrigado que você, apenas por estar numa mesma composição, tenha que ter esse voto linear. É um voto muito pessoal. Você só tem uma vaga para presidente e uma vaga para governador. Então é um voto que vai muito daquilo que você enxerga como sendo o melhor para a sua família, para você, para o seu Estado e para o seu país." Caiado também afirmou que pretende explorar o espaço de um eleitorado que rejeita a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro. Segundo ele, o país vive um cenário de "revanche" entre os dois grupos políticos e há demanda por uma alternativa. "O Brasil não pode ter na pauta eleger rejeitados. Criou-se um quadro como se fosse um jogo de revanche. 'Não gosto de um, voto no outro; não gosto do outro, voto no primeiro'. Não é este o momento que o Brasil está passando", disse. O ex-governador afirmou ainda que os grupos políticos de ambos "já tiveram a oportunidade de governar" e que sua própria campanha começará a crescer a partir da intensificação das viagens pelo país. Na passagem pelo Rio, Caiado participou de encontros com lideranças políticas, empresários e prefeitos da Região Serrana. Ele afirmou que pretende concentrar sua agenda na apresentação de propostas para a segurança pública, tema que classificou como a principal preocupação da população fluminense. O ex-governador foi confirmado pré-candidato à presidência da República em 30 de março após disputa interna com os governadores Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ratinho Júnior, do Paraná, que desistiu da disputa para continuar no cargo. O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, é o pré-candidato a vice na chapa do partido. — Foto: Edilson Dantas O Globo