"Eu não seria candidato se não fosse a coragem de Gilberto Kassab, que enfrentou todos aqueles que achavam que podiam calar o Brasil e que não teria mais nenhum candidato fora da polarização", afirmou Caiado no palco do evento, diante de militantes e partidários. O político prometeu, se eleito, implantar um "novo modelo de governo". "Não é possível que o Brasil vá querer optar por aqueles que são os maiores rejeitados da política nacional. Eleição não é de rejeitados. É de quem traz resultado para a sociedade brasileira. É o que nós demonstramos. Saímos do governo do Estado com 88% de aprovação, mostrando que, quando se tem capacidade para governar, a população reconhece. O que o Brasil precisa é de alguém que tenha coragem de comprar a briga pelo cidadão brasileiro", disse Caiado. Caiado vai disputar o Palácio do Planalto pela segunda vez. Nas eleições de 1989, terminou em 10º lugar, com 0,72% dos votos no primeiro turno. Em sua carreira política, foi deputado federal, senador e governador de Goiás por dois mandatos. Renunciou ao cargo em março para concorrer à Presidência. Gilberto Kassab e Ronando Caiado em convenção nacional do PSD em São Paulo — Foto: Reprodução O ex-governador chegou à convenção com a chapa definida. Em 1º de julho, anunciou Kassab como vice e disse que o presidente do PSD participaria ativamente de um eventual governo. A escolha formou uma chapa "puro-sangue", composta apenas por integrantes da legenda. O PSD não fechou coligações até o momento. Ex-prefeito de São Paulo, Kassab foi ministro nos governos Dilma Rousseff e Michel Temer e secretário da gestão Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. Em 2011, fundou o PSD, partido que tem o maior número de prefeitos do país. Apesar da chapa 100% PSD, Caiado enfrenta dificuldades para unificar o partido em estados importantes. Em São Paulo, o partido apoia a reeleição de Tarcísio, que está com Flávio Bolsonaro. Em Minas Gerais, o governador Mateus Simões, do PSD, declarou apoio a Zema (Novo). No Rio de Janeiro e na Bahia, lideranças estaduais da legenda apoiam o presidente Lula. Com isso, a chapa pode ficar sem palanques próprios em alguns dos maiores colégios eleitorais do país. Outros pré-candidatos ainda vão realizar suas convenções: Romeu Zema (Novo): segunda-feira (27), em Brasília, sem definir o vice.Lula (PT): 2 de agosto, em São Paulo, com Geraldo Alckmin de vice. A convenção é o ato em que o partido oficializa seus candidatos nas eleições. O prazo para isso vai até 5 de agosto. Depois, as candidaturas devem ser registradas na Justiça Eleitoral até 15 de agosto. A campanha começa oficialmente no dia seguinte. Ronaldo Caiado é pré-candidato à Presidência pelo PSD — Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo Caiado venceu disputa interna do PSD Caiado lançou sua pré-candidatura à Presidência em abril de 2025, quando ainda estava no União Brasil. A formação da federação entre o partido e o Progressistas (PP), porém, ampliou a resistência ao projeto presidencial dentro do próprio grupo e levou o então governador a procurar outra legenda. Em janeiro de 2026, Caiado anunciou a saída do União Brasil e a filiação ao PSD, que já tinha outros dois governadores interessados na candidatura: Ratinho Junior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul. Ratinho desistiu para concluir o mandato, e Caiado venceu a disputa interna com Leite. Foi escolhido pela direção do partido em 30 de março e, no dia seguinte, deixou o governo de Goiás e entregou o cargo ao então vice, Daniel Vilela, do MDB. Na pesquisa Quaest divulgada em julho, Caiado aparece em terceiro lugar, com 4% das intenções de voto no primeiro turno, atrás de Lula, com 40%, e Flávio Bolsonaro, com 28%. 37 anos depois, uma nova eleição presidencial Ronaldo Caiado tem 76 anos, é médico ortopedista e produtor rural. Natural de Anápolis, em Goiás, iniciou sua atuação política como um dos fundadores da União Democrática Ruralista (UDR), entidade criada para representar proprietários rurais durante as discussões sobre a reforma agrária. Presidiu a organização entre 1986 e 1989. Em 1989, na primeira eleição presidencial direta após a ditadura militar, disputou a Presidência pelo antigo Partido Social Democrático (PSD), legenda sem relação com o partido atual de mesmo nome. Recebeu cerca de 489 mil votos, ou 0,72% do total, e terminou em décimo lugar entre 22 candidatos. No ano seguinte, foi eleito deputado federal por Goiás com cerca de 98 mil votos, a maior votação do estado. Deixou a Câmara em 1994 para disputar pela primeira vez o governo goiano, mas terminou em terceiro lugar. O vencedor foi Maguito Vilela, do então PMDB (atual MDB). Retornou à Câmara em 1998, eleito com cerca de 100 mil votos. Depois, conquistou mais três mandatos consecutivos: recebeu aproximadamente 115 mil votos em 2002, 153 mil em 2006 e 168 mil em 2010. Ao longo dessa trajetória, passou pelo Partido Democrata Cristão (PDC) e pelo Partido Progressista Reformador (PPR) antes de se estabelecer no Partido da Frente Liberal (PFL). A legenda mudou de nome para Democratas (DEM) em 2007 e, mais tarde, fundiu-se com o Partido Social Liberal (PSL) para formar o União Brasil. Caiado permaneceu nesse grupo partidário até migrar para o atual PSD em 2026. Em 2014, deixou a Câmara e foi eleito senador por Goiás com cerca de 1,28 milhão de votos, ou 47,57% do total. Deixou o Senado na metade do mandato para assumir o governo estadual. Caiado foi eleito governador de Goiás em 2018, no primeiro turno, com aproximadamente 1,77 milhão de votos, ou 59,73%. Naquela eleição, derrotou Daniel Vilela. Quatro anos depois, o adversário virou candidato a vice na chapa de Caiado, reeleito também no primeiro turno, com 51,81% dos votos. Condenação eleitoral foi revertida A Justiça Eleitoral entendeu que ele havia usado o Palácio das Esmeraldas, sede do governo de Goiás, para promover reuniões em apoio a Sandro Mabel, seu candidato à Prefeitura de Goiânia. Anistia, combate às facções e reformas Caiado diz que essa seria uma das primeiras medidas de seu governo e argumenta que a anistia ajudaria a “pacificar” o país. A medida, porém, não pode ser concedida unilateralmente pelo presidente: a Constituição estabelece que a anistia depende da aprovação de uma lei pelo Congresso Nacional. Na economia, Caiado propôs um corte imediato de 25% nos orçamentos do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Segundo ele, o Estado precisa reduzir seus próprios gastos antes de cobrar novos sacrifícios da população. Também promete não aumentar impostos e reduzir a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB) em um ponto percentual por ano.