0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), ao lado de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no plenário do Senado Federal — Foto: Andressa Anholete/Agência Senado As conversas para colocar senadora Tereza Cristina (PP-MS) como vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) movimentaram o time da campanha e o noticiário, mas a articulação ainda está parada por conta da resistência dos presidentes da federação formada entre União Brasil e PP, a que ela pertence, a se atrelar à candidatura de oposição. É a mesma hesitação do Republicanos, com quem os coordenadores de campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN) e Valdemar Costa Neto, têm tido diversas conversas nos últimos dias. Publicamente, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, justifica o impasse por conta de um acordo de neutralidade com o governo, mas a razão mais citada nos bastidores da campanha e desses partidos é outra: o medo do Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com quatro aliados do candidato do PL ouvidos pela equipe da coluna, lideranças das duas legendas têm citado “pressão” e “recomendações” de ministros do STF como razão para preferir não fazer aliança formal com a chapa do filho de Jair Bolsonaro — tanto pelo risco de serem alvo de algum tipo de retaliação em razão da opção eleitoral por um adversário da Corte como pelo risco de o próprio Flávio vir a ser alvo de alguma medida judicial até o final da eleição. Aos interlocutores com quem têm debatido a aliança, três dirigentes relataram ter procurado ministros ou encontrado em ocasiões sociais e perguntado se achavam que uma aliança com Flávio poderia lhes render problemas. A resposta, sempre na linha do “melhor não”, os fez recuar. Flávio é alvo de um inquérito que apura o destino do dinheiro que Daniel Vorcaro supostamente deu para o filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro. De acordo com reportagens do Intercept, o dono do Banco Master deu R$ 61 milhões para o filme por meio de um fundo administrado pelo advogado de imigração do deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL). Flávio também tem relação muito próxima com políticos do Rio investigados em outro inquérito, comandado por Alexandre de Moraes, que apura o envolvimento deles com o crime organizado. O senador não é alvo dessa investigação, mas um dos temores dos políticos do Centrão é que a apuração de Moraes possa atingi-lo de alguma forma durante a campanha. Além disso, tanto o Republicanos como o União tem políticos atingidos por investigações comandadas pelo ministro Flávio Dino a respeito do uso de emendas parlamentares, e temem que uma aliança com o bolsonarismo atice o STF contra eles. A reticência dos caciques do Centrão tem sido recebida com reações diferentes no entorno de Flávio. Enquanto os mais leais costumam manifestar indignação ao ouvir relatos de pressão, os mais críticos veem um sinal preocupante. “Quando o Ciro Nogueira decide se afastar porque acha que Flávio é que pode queimar o filme dele e não o contrário, a coisa está feia”, ironizou um deles. A resistência em colar a imagem das legendas à de Flávio não se dá só na cúpula dos partidos. Postulantes a vagas de deputado e senador também temem prejuízos eleitorais com a aliança. Uma eventual adesão de Tereza Cristina à campanha como vice poderia ter efeito agregador e de anular essa onda de resistência no Centrão. Mas até agora a posição oficial da senadora é de que só aceita concorrer como vice na eleição se o PP embarcar com ela na campanha, o que, por enquanto, é ainda muito incerto.