Numa época em que se debatem a influência da tecnologia e os impactos da Inteligência Artificial nas atividades humanas, a literatura oferece a possibilidade de voltar aos primórdios da humanidade. E fabular de que modo nossos parentes ancestrais compreendiam o mundo milhares de anos atrás.
Em Os Imortais, a escritora e jornalista Paulliny Tort apresenta uma narrativa sobre um clã de neandertais em busca da sobrevivência. Em determinado momento, o grupo topa com alguns Homo sapiens. Depois de uma disputa territorial, uma bebê sapiens acaba sendo incorporada ao clã.
Estudos confirmam que as duas espécies de hominídeos coexistiram e se relacionaram por milênios, até a extinção dos neandertais, há cerca de 40 mil anos. E revelam que populações humanas atuais de origem não africana carregam entre 1% e 2% de DNA neandertal.
Também se sabe que as espécies tanto conviveram pacificamente quanto competiram por recursos. Há evidências de que os neandertais mantinham práticas culturais, como o enterro, embora ainda pouco se conheça sobre suas formas de comunicação e expressões de cuidado.
Paulliny explora com inventividade tais lacunas. A narrativa se estrutura em quatro partes. Três acompanham o ponto de vista de um dos personagens – o Homem, guia-caçador, a Mulher, guardiã do fogo e guia-caçadora, e a menina sapiens; a última traz uma confluência de perspectivas.







