PUBLICIDADE Com fogo perto de Cap-Ferret, grupo permanece na região para proteger casas e plantações; incêndio já destruiu 42 mil hectares 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Benoît Bartherotte, empresário e morador da região, supervisiona a criação de uma faixa de proteção contra incêndios perto de Lège-Cap-Ferret, a oeste de Bordeaux. — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você Benoît Bartherotte coordena a abertura de um aceiro de 800 metros. A ação é financiada por empresários locais e conta com apoio político. Além do empresário, pescadores e produtores de ostras decidiram permanecer na região. Eles tentam evitar a perda total de suas colheitas e fontes de renda. Enquanto o fogo destrói casas em municípios vizinhos, moradores criticam o governo. Há acusações de que as autoridades priorizam a proteção de áreas nobres. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Enquanto um dos maiores incêndios florestais dos últimos anos avança pelo sudoeste da França, um empresário de 79 anos decidiu ignorar a ordem de evacuação e liderar, por conta própria, uma operação para tentar impedir que as chamas alcancem a península de Cap-Ferret, um dos destinos de verão mais exclusivos do país. Com a ajuda de voluntários e máquinas pesadas, Benoît Bartherotte coordena a abertura de um aceiro — faixa de terra sem vegetação usada para conter incêndios — na tentativa de proteger a região. O fogo já consumiu cerca de 42 mil hectares de vegetação e se aproxima da estreita península localizada entre o Oceano Atlântico e a Baía de Arcachon, a cerca de 70 quilômetros de Bordeaux. Sob temperaturas próximas de 40°C, Bartherotte afirma que não havia tempo para esperar pelas autorizações necessárias para iniciar a obra. — Eles nos fizeram perder dois dias com essa burocracia insignificante. Quando há uma emergência, você tem que agir. As licenças podem vir depois — afirmou o empresário, conhecido na região como o "Robinson Crusoé de Cap-Ferret". Segundo Bartherotte, a meta é concluir um aceiro de 800 metros de comprimento por 80 metros de largura antes que o incêndio alcance a área. Para viabilizar a operação, ele recorreu a contatos políticos e empresariais — que, segundo diz, chegam "até Brigitte Macron", primeira-dama da França. As escavadeiras utilizadas na operação são financiadas por uma associação que reúne moradores e empresários, entre eles o magnata das telecomunicações Xavier Niel. Entre os voluntários está Quentin, que retirou a família da região antes de voltar para ajudar nos trabalhos. Ele afirma que os moradores se mobilizaram diante da percepção de que a resposta oficial não seria suficiente. — Claramente não temos o que precisamos, por isso somos obrigados a fazer o trabalho quando chega a hora. Não queremos nos queimar; não vamos esperar por licenças, estamos apenas fazendo o trabalho — disse. Moradores resistem à evacuação As autoridades determinaram a evacuação total de Cap-Ferret em 24 de julho. Turistas e moradores deixaram a península em barcos mobilizados para retirar pessoas pelas três docas da região. As ruas ficaram praticamente vazias, com casas fechadas e persianas abaixadas. Nem todos, porém, foram embora. Um grupo de moradores, formado por aposentados, pescadores e produtores de ostras, decidiu permanecer para ajudar no combate ao fogo e preservar seus meios de subsistência. Durante a maré baixa, o ostricultor Bart Bosredon continuava trabalhando nos viveiros. — Se não cuidarmos das ostras, perdemos toda a colheita — afirmou. Produtores da região também demonstram preocupação com os impactos econômicos do incêndio. Eles temem que a fumaça, o uso de produtos químicos no combate às chamas e a paralisação do turismo comprometam a safra e a principal fonte de renda local. Críticas ao combate às chamas O incêndio já provocou destruição em municípios vizinhos. Em Le Porge, cerca de 175 casas foram destruídas e quase metade dos 15 mil hectares do município foi atingida pelo fogo. A prefeitura trabalha para oferecer apoio psicológico às famílias afetadas e encontrar alternativas de moradia para os desabrigados. À medida que o incêndio avança, também cresce a insatisfação entre moradores de cidades próximas. Alguns acusam as autoridades de concentrarem recursos na proteção de Cap-Ferret — especialmente do bairro conhecido como "Os 44 hectares", um dos endereços mais valorizados da França — em detrimento de outras localidades. Moradores relataram ao jornal francês Le Parisien que equipes de bombeiros deixaram áreas residenciais onde atuavam para reforçar a proteção da península. Enquanto isso, o incêndio segue ativo e mantém toda a região em estado de alerta.