Mais de 23 mil pessoas foram retiradas do distrito de Biscarrosse, incluindo ocupantes de um acampamento de férias infantil e moradores de uma instituição para idosos Pessoas trabalham para extinguir um incêndio florestal em Lanton, departamento de Gironde, em meio à seca que se seguiu a uma onda de calor e à escassez de água em grande parte da França , em 29 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Sarah Meyssonnier Quando Raphael Fohanno viu o que restou da casa dos pais após os incêndios florestais que devastaram o sudoeste da França, era evidente seu choque ao encontrar apenas uma estrutura carbonizada ainda soltando fumaça. "Aqui era a sala de estar; o sofá ficava naquele canto, a televisão, a mesa de centro, um vaso, a impressora, tudo", disse o jovem de 18 anos, olhando para as vigas queimadas e a estrutura metálica retorcida da casa onde sua família viveu nos últimos sete anos. "É de uma brutalidade enorme. Acima de tudo, o pior é a sensação de impotência. Para mim, pensar que eu não estava aqui para ajudar em nada, nem mesmo os meus animais de estimação, é horrível." Enquanto ele estava fora, seus pais e a irmã foram retirados de helicóptero. Os pais já haviam retornado para ver o que restou da casa, em Biscarrosse. "É um choque pensar que, uma hora antes, eu estava no meu quarto e tudo estava normal. Agora não sobrou nada. É muito triste", disse Fohanno. Biscarrosse, cidade litorânea de cerca de 14 mil habitantes localizada a aproximadamente 40 quilômetros ao sul da península de Cap Ferret, foi atingida na semana passada por um incêndio iniciado na tarde de quinta-feira. Mais de 23 mil pessoas foram retiradas do distrito de Biscarrosse, incluindo ocupantes de um acampamento de férias infantil e moradores de uma instituição para idosos. Aos poucos, porém, as autoridades começaram a permitir o retorno dos moradores a alguns bairros. A França enfrenta uma temporada de incêndios florestais sem precedentes. Ao todo, cerca de 220 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas em uma crise que o presidente Emmanuel Macron classificou como a mais grave desde a Segunda Guerra Mundial. Embora um grande incêndio nas proximidades de Bordeaux tenha permanecido sob controle durante a noite, a previsão é de que as temperaturas voltem a subir nesta quarta-feira, aumentando o risco de novos focos e de propagação das chamas. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, informou na rede social X, na terça-feira, que o incêndio em Biscarrosse exigiu a mobilização de 550 bombeiros e 450 policiais para ser controlado. Bombeiros combatem um incêndio nos arredores de Lanton, durante os incêndios florestais no sudoeste da França, na terça-feira, 28 de julho de 2026. — Foto: AP/Emma Da Silva Beatrice Dubaquier só descobriu que sua casa havia sido destruída quando voltou ao local, na noite de domingo. Enquanto a família revirava os escombros, encontrou fragmentos de louças quebradas que conseguiu reconhecer: uma caneca recebida de presente de aniversário e um prato que ela e o marido ganharam no casamento. Dubaquier disse estar vivendo uma montanha-russa de emoções. Sua filha Lucie lembrou que a irmã mais nova deu os primeiros passos naquela casa e pronunciou ali as primeiras palavras. "É muito difícil ver todas essas lembranças reduzidas a cinzas", disse Lucie.
'Não sobrou nada': sobreviventes de incêndios florestais na França voltam para casas destruídas
Mais de 23 mil pessoas foram retiradas do distrito de Biscarrosse, incluindo ocupantes de um acampamento de férias infantil e moradores de uma instituição para idosos














