Os dois países pediram ajuda à União Europeia diante da pressão do fogo sobre os serviços de combate e outras equipes de emergência Um bombeiro caminha ao lado dos destroços em chamas de uma autocaravana durante um incêndio florestal em Lege-Cap-Ferret, no departamento de Gironde, em meio ao agravamento da seca após uma onda de calor e à escassez de água em grande parte da França, em 24 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Stephane Mahe Dezenas de milhares de pessoas fugiram de incêndios florestais no sudoeste da França de carro e barco nesta sexta-feira, enquanto a Espanha declarou emergência nacional depois que grandes focos de incêndio se uniram nos arredores de Madri, em meio a um calor intenso que deixou condições extremamente secas em toda a Europa. Os dois países pediram ajuda à União Europeia diante da pressão dos incêndios sobre os serviços de combate ao fogo e outras equipes de emergência. As autoridades francesas determinaram a retirada de todas as pessoas da península de Cap Ferret, importante destino turístico na costa do Atlântico. Cerca de 63 mil pessoas receberam ordens para deixar a região. Nas proximidades, na cidade de Biscarrosse, outro grande incêndio ameaçava residências. “De nossa casa, tínhamos uma vista dos incêndios... Podíamos ver as nuvens ficando cada vez mais escuras”, disse Yoan Urien, que deixou o local na noite de quinta-feira depois que a polícia ordenou que todos em seu bairro saíssem. “Consegui encontrar um lugar para me abrigar com meus animais de estimação, mas... é um choque e tanto”, disse o jovem de 26 anos à Reuters. Um incêndio que começou em Saumos, ao norte de Cap Ferret, ameaça bloquear a única estrada de saída da península e é o maior registrado até agora nesta temporada na França, disse o ministro do Interior, Laurent Nunez, à televisão local. O fogo já atingiu 10 mil hectares de floresta e queimou 80 casas, destruindo completamente cerca de 50 delas, afirmou. Enquanto isso, dois incêndios se uniram nos arredores de Madri, e um terceiro estava prestes a se juntar a eles, disseram autoridades do governo. A primeira declaração de emergência nacional já emitida por causa de um incêndio florestal na Espanha liberou recursos do governo central para enfrentar a crise. “Este é o pior incêndio florestal da história da nossa região”, disse a presidente da Comunidade de Madri, Isabel Díaz Ayuso, após informar a jornalistas que os incêndios haviam se unido. “É a tempestade perfeita, com temperaturas muito altas e ventos incessantes que não dão trégua.” Mais de 19 mil pessoas receberam ordens para deixar cidades nas montanhas a oeste da capital espanhola enquanto mais de 2 mil profissionais e dez aeronaves tentavam, sem sucesso, impedir que os incêndios se unissem, disse o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska. Um terceiro incêndio, na província de Ávila, estava prestes a se unir aos dois focos em Madri ou talvez já tivesse se juntado a eles, disse a jornalistas Nicanor Sen, representante do governo na região de Castela e Leão. A região a oeste de Madri, onde muitos moradores da capital têm casas de veraneio, é densamente povoada. Em um único conjunto residencial, 43 casas foram destruídas, segundo uma autoridade de Madri. Esse fator pesou na decisão do governo de declarar emergência nacional, permitindo uma melhor coordenação da resposta, afirmou Grande-Marlaska. A última vez que a Espanha declarou o mesmo nível de alerta de emergência foi durante um grande apagão que atingiu todo o país no ano passado. Em Navaluenga, na província de Ávila, moradores usando máscaras por causa da fumaça observavam helicópteros de combate a incêndios recolherem água do rio da cidade. “Moro aqui há 36 anos e nunca vi nada parecido. Nem esperava por isso. Achei que conseguiriam controlar o incêndio ontem à noite, mas já era tarde e tudo estava fora de controle”, disse o morador Javier Martin à Reuters. Este é o segundo ano consecutivo em que a Espanha enfrenta uma temporada de incêndios particularmente destrutiva. Mais de 29 grandes incêndios já foram registrados na Espanha neste ano, atingindo uma área cinco vezes maior do que no mesmo período de 2025, quando uma área recorde foi destruída, disse a ministra do Meio Ambiente, Sara Aagesen, em uma publicação nas redes sociais. Um bombeiro trabalha para extinguir as chamas durante um incêndio florestal em Lege-Cap-Ferret, no departamento de Gironde, em meio ao agravamento da seca após uma onda de calor e à escassez de água em grande parte da França, em 23 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Stephane Mahe Calor afeta lavouras e resfriamento de usinas nucleares A Grécia está enviando dois aviões CL-415 de combate a incêndios para Madri, que atuarão na região de Toledo, informou o Ministério da Proteção Civil grego. A Croácia afirmou ter enviado nesta sexta-feira à França um avião Canadair CL-415 de combate a incêndios, acompanhado de duas tripulações e 11 integrantes da equipe técnica do Exército croata, para ajudar no combate às chamas. Após um breve alívio durante o fim de semana, as temperaturas médias na França devem voltar a subir acentuadamente na próxima semana, segundo dados do Global Forecast System compilados pela Lseg. As altas temperaturas devem aquecer os rios franceses usados para resfriar reatores nucleares e podem provocar novas restrições, com os reatores reduzindo a produção para cumprir medidas de proteção ambiental. O reator nuclear Golfech 2, no sul da França, permanece fora de operação desde 7 de julho devido a restrições relacionadas ao calor, segundo dados da operadora EDF. Semanas de calor também estão prejudicando as condições das lavouras de milho na França, maior produtora de grãos da União Europeia, informou nesta sexta-feira a agência agrícola FranceAgriMer.
Incêndios forçam fuga de milhares na França e avançam nos arredores de Madri
Os dois países pediram ajuda à União Europeia diante da pressão do fogo sobre os serviços de combate e outras equipes de emergência












