Melhora nas condições durante a noite traz alívio parcial; autoridades alertam para risco de agravamento com altas temperaturas e ventos previstos para os próximos dias 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Bombeiro combate incêndio florestal em Claouey, perto de Lège-Cap-Ferret, na França; fogo já queimou 42 mil hectares e destruiu 240 casas — Foto: Ed Jones/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/07/2026 - 09:55 França e Espanha combatem incêndios críticos com clima instável Apesar da desaceleração dos incêndios, França e Espanha ainda enfrentam momentos críticos no combate ao fogo. Melhoria temporária nas condições climáticas trouxe alívio, mas as altas temperaturas e ventos previstos podem agravar a situação. Na Espanha, as operações focam em resfriamento e vigilância, enquanto na França, o maior incêndio desde a Segunda Guerra mobiliza bombeiros. Autoridades alertam para riscos e planejam retorno gradual dos evacuados. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Espanha e a França vivem horas decisivas no combate a incêndios florestais de grandes proporções, enquanto uma nova onda de calor ameaça dificultar os trabalhos das equipes de emergência. Após dias marcados por retiradas em massa, destruição de moradias e avanço das chamas, autoridades dos dois países relataram melhora parcial na situação durante a madrugada desta terça-feira, mas alertaram que o aumento das temperaturas e a intensificação dos ventos podem voltar a favorecer a propagação do fogo. Desde o início do ano, os incêndios já queimaram cerca de 207 mil hectares na Espanha e 92 mil hectares na França, segundo dados do sistema europeu EFFIS. Na Espanha, os bombeiros conseguiram conter o avanço das frentes ativas do incêndio que atinge a Serra Oeste de Madri e impedir que as chamas chegassem ao município de Valdemaqueda. Nesta terça-feira, as operações passaram a se concentrar no resfriamento das áreas atingidas e na vigilância dos focos ativos antes da piora das condições meteorológicas. O entorno do rio Cofio continua sendo apontado como a área mais crítica, enquanto o incêndio que afeta as províncias de Madri, Ávila e Toledo permanece ativo. Outro grande foco segue queimando em Vall d'Uixó, na província de Castellón, onde o fogo já consumiu cerca de 8,5 mil hectares e entrou no quarto dia de atividade. Apesar da melhora registrada durante a noite, autoridades espanholas afirmaram que as próximas horas serão determinantes. O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, disse que o país pode estar “um pouco mais tranquilo”, mas destacou que o momento continua sendo “fundamental” para conter os incêndios antes da chegada de uma nova onda de calor. O presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou que a o país começa a ver uma luz no “fim do túnel”, embora ainda espere “horas especialmente complexas”, e anunciou que as áreas atingidas serão declaradas zonas de emergência para permitir a liberação de ajuda financeira. — De fato, estamos revertendo a situação e podemos começar a ver luz no fim do túnel na luta contra esses incêndios, com toda a cautela, especialmente diante dos dias e das horas complexas que temos pela frente. Todas as administrações, todos os profissionais e toda a sociedade devemos estar e agir unidos contra o fogo — declarou Sánchez, acrescentando que, no atual ambiente político, “o negacionismo climático é o pior dos combustíveis diante da emergência climática”. — Negar a realidade e os alertas da ciência não nos prepara; pelo contrário, nos torna muito mais vulneráveis e deixa nossa população muito mais insegura. Na região de Madri, a Delegação do Governo pediu que a população redobre os cuidados após a Agência Estatal de Meteorologia (Aemet) elevar para muito alto ou extremo o risco de incêndios em grande parte do território. As previsões indicam temperaturas de até 41°C em partes da Espanha e do sudoeste da França nesta quarta-feira, acompanhadas por ventos e brisas que podem reacender focos e dificultar os trabalhos de combate. Segundo a Aemet, quase toda a Espanha permanece sob risco muito alto de incêndios florestais. Autoridades espanholas começaram a planejar o retorno gradual da população evacuada nas áreas onde as condições de segurança permitirem. Na Comunidade de Madri, equipes do governo regional e da Unidade Militar de Emergências (UME) realizam inspeções para verificar a estabilidade das áreas queimadas antes de autorizar o retorno às residências. Em Castilla-La Mancha, o incêndio que atinge Toledo teve o nível de emergência reduzido para 2, permitindo que o governo regional assumisse o comando das operações de combate. Duas localidades continuam com ordens de retirada, enquanto moradores de outras nove já puderam voltar para casa. Incêndios florestais fora de controle avançam sobre as províncias de Ávila e Madri Na Espanha, segundo o Ministério para a Transição Ecológica, 173,6 mil hectares foram queimados até 28 de julho, quase seis vezes mais do que no mesmo período de 2025, quando foram registrados 29,8 mil hectares. No mesmo intervalo, o país contabilizou 35 grandes incêndios florestais, contra sete no ano passado. Além disso, 47 rodovias foram interditadas, cerca de 63 mil pessoas foram evacuadas de suas casas e outras 30 mil receberam ordem para permanecer abrigadas, totalizando mais de 90 mil pessoas afetadas. Na França, o maior incêndio do país desde a Segunda Guerra Mundial permanece estabilizado, mas ainda mobiliza centenas de bombeiros na região de Gironde, próxima a Bordeaux. O fogo já destruiu 42 mil hectares e levou à evacuação de cerca de 220 mil pessoas desde 22 de julho. Nesta terça-feira, outras 4 mil pessoas deixaram hospedagens turísticas em Lacanau por precaução. Embora as autoridades considerem que a situação tenha melhorado, o aumento previsto das temperaturas preocupa as equipes de emergência, que seguem monitorando focos também nas regiões mediterrâneas e na ilha da Córsega. Os incêndios deixaram prejuízos econômicos em áreas turísticas e rurais dos dois países. Na Espanha, moradores começaram a retornar a casas e estabelecimentos reduzidos a cinzas, enquanto, na França, empresários relatam perdas provocadas pelo cancelamento de reservas e pela saída antecipada de turistas. O presidente francês, Emmanuel Macron, reconheceu que "as próximas semanas serão difíceis", em meio às críticas da oposição sobre a resposta do governo aos incêndios e à proximidade das eleições presidenciais previstas para abril. Temporada de incêndios Espanha e França têm sido o epicentro da temporada de incêndios florestais na Europa, que começou cedo neste ano e se intensificou nas últimas semanas, à medida que sucessivas ondas de calor ressecaram a vegetação, facilitando a rápida propagação das chamas. Para os próximos dias, a previsão é de que as temperaturas alcancem cerca de 40°C na Espanha até terça-feira, enquanto, na França, as máximas devem atingir entre 40°C e 41°C na quarta-feira. As mudanças climáticas estão intensificando os períodos de calor extremo na Europa, o continente que mais aquece no mundo. Temperaturas recordes e a seca alimentaram o pior início já registrado da temporada global de incêndios florestais, enquanto cientistas do clima alertam que o desenvolvimento do fenômeno El Niño pode trazer condições ainda mais severas no restante do verão. Países da União Europeia, que se uniram aos esforços de combate aos incêndios na Espanha e na França, ampliaram nesta segunda-feira sua operação de apoio, elevando para nove aviões e dois helicópteros a frota enviada por meio do Mecanismo de Proteção Civil do bloco. A área semanal devastada pelo fogo chegou a 180 mil hectares até a última quarta-feira, o maior índice para este período do verão em pelo menos 20 anos, segundo dados do programa Copernicus. (Com Bloomberg e AFP)