Seca e calor retiram umidade de gramíneas e florestas, condição que permite que o fogo se espalhe mais rapidamente 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Bombeiros combatem incêndio florestal em área residencial de Lège-Cap-Ferret, no sudoeste da França, após milhares de pessoas serem evacuadas — Foto: Julien de Rosa/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/07/2026 - 18:30 Incêndios Florestais Devastam Espanha e França em Verão Recorde O verão recorde de calor e seca na Europa Ocidental preparou o cenário para incêndios florestais devastadores na Espanha e França. Mais de 280 mil pessoas foram deslocadas, e a Espanha declarou estado de emergência. Cientistas ligam esses eventos ao aquecimento global, prevendo aumento de condições favoráveis a incêndios no Mediterrâneo. A França já enfrenta seu pior ano em duas décadas em termos de incêndios. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os incêndios florestais que atingem a Espanha e a França representam o desfecho de um verão extremo na Europa Ocidental, em que ondas de calor recordes e condições de seca prepararam o cenário para que vastas áreas pudessem pegar fogo com facilidade. Embora seja difícil relacionar um único incêndio florestal ao aquecimento global, cientistas afirmam que as temperaturas escaldantes registradas no mês passado, que atingiram tanto a Espanha quanto a França, tornaram-se mais prováveis devido à queima de combustíveis fósseis. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), principal órgão científico mundial sobre o clima, afirmou em 2021 que as condições climáticas favoráveis à ocorrência de incêndios provavelmente aumentarão em toda a região do Mediterrâneo ao longo deste século. De modo geral, os incêndios florestais estão intimamente ligados ao calor e à seca, que retiram a umidade de gramíneas e florestas. Essas condições permitem que o fogo se espalhe mais rapidamente — desde que haja uma fonte de ignição. — Prefiro chamar isso de ressecamento do continente europeu — disse Johann Georg Goldammer, diretor do Centro Global de Monitoramento de Incêndios, em Freiburg, na Alemanha. —A vegetação está sofrendo com esse estresse causado pelo calor e pela seca. E isso vem se acumulando. Segundo o especialista, os incêndios florestais estavam "absolutamente" relacionados aos eventos climáticos extremos ocorridos anteriormente. Milhares são evacuados de destino turístico na França em meio a incêndios florestais No oeste da França, bombeiros combatem as chamas na mesma região que foi o epicentro das ondas de calor anteriores. A cidade de Bordeaux, de onde milhares de pessoas foram retiradas dos subúrbios, registrou no fim de junho o período mais quente de sua história, com temperaturas atingindo 42 graus Celsius durante três dias consecutivos. Desde 1º de junho, Bordeaux registrou 20 dias com temperaturas máximas de pelo menos 35 graus Celsius, em comparação com apenas cinco dias no mesmo período do ano passado. Choveu em apenas três dias, e sempre de forma muito fraca. A Europa Ocidental viveu o mês de junho mais quente já registrado, segundo o Copernicus, serviço de monitoramento climático da União Europeia. O Copernicus também relatou "condições generalizadas de seca" e níveis de umidade do solo muito abaixo da média na Espanha e na França. Floresta próxima à área residencial no sudoeste da França sofre incêndio em meio à onda de calor na Europa — Foto: Thibaud Moritz/AFP Samantha Burgess, diretora-adjunta do Serviço de Mudanças Climáticas do Copernicus, afirmou que as ondas de calor, combinadas com o aquecimento das águas europeias, representam "riscos crescentes para as pessoas, os ecossistemas e a infraestrutura". Nesse contexto, em toda a Europa — o continente que aquece mais rapidamente no mundo — esses riscos já estão se manifestando de diversas formas. O rio Danúbio atingiu recentemente seus níveis mais baixos de água em 30 anos, interrompendo parcialmente a navegação. Neste mês, o baixo nível do rio Reno obrigou embarcações de carga a reduzir o volume transportado. Os Países Baixos declararam situação de escassez de água, e grande parte da França enfrenta restrições ao uso desse recurso. E, então, vêm os incêndios. Segundo o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais, a França já registrou neste ano o maior número de incêndios e a maior área queimada dos últimos 20 verões. Entre 2006 e 2015, o país registrava, em média, 15 grandes incêndios por ano. Neste ano, já foram contabilizados 312 incêndios, com mais de 70 mil hectares queimados, e ainda restam várias semanas de verão. A Espanha teve uma das piores temporadas recentes de incêndios no ano passado. A destruição registrada neste ano corresponde a cerca de 40% da observada no ano anterior. Normalmente, na Europa, o risco de incêndios florestais atinge seu pico entre meados de julho e agosto. Em 2021, a Agência Europeia do Ambiente informou que a área média anual queimada na região do Mediterrâneo havia diminuído ligeiramente desde a década de 1980 graças ao aprimoramento das políticas de prevenção e combate aos incêndios. No entanto, a agência alertou que os incêndios florestais passaram a ocorrer também em partes da Europa Central e do Norte, regiões "que normalmente não eram propensas a incêndios".
Calor recorde no verão criou condições para incêndios florestais na Espanha e na França; entenda
Seca e calor retiram umidade de gramíneas e florestas, condição que permite que o fogo se espalhe mais rapidamente











