Fogo já consumiu neste ano uma área maior no continente europeu do que a média anual registrada nas últimas duas décadas, mostram dados Uma árvore queima durante o incêndio florestal de La Mierla em Albendiego, Guadalajara, Espanha , em 21 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Ana Beltran Bombeiros que combatem incêndios florestais na Espanha e na França afirmaram nesta quarta-feira que o risco de novos focos nos próximos dias permanece muito elevado, embora um grande incêndio na província espanhola de Guadalajara, no centro do país, tenha perdido força, permitindo que parte dos moradores retornasse para casa. As chamas consumiram cerca de 32 mil hectares na região e começaram a ser estabilizadas na terça-feira, após provocar evacuações em 34 municípios e ordens de confinamento em outros 14. O serviço de combate a incêndios Infocam, da região de Castilla-La Mancha, informou que moradores de cinco vilarejos foram autorizados a retornar para suas casas, embora outras restrições permaneçam em vigor. Em visita à região nesta quarta-feira, o primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou que a Espanha já enfrentou 22 grandes incêndios florestais neste ano. "Já atingimos a marca de 100 mil hectares queimados antes mesmo de chegarmos ao período mais crítico do ano no combate aos incêndios florestais", afirmou. "Para colocar isso em perspectiva, essa era a média anual registrada pela Espanha na última década", disse, acrescentando que é preciso fazer mais para prevenir os incêndios. A agência meteorológica espanhola Aemet informou que o risco de incêndios permanece "muito alto ou extremo" na maior parte do território continental e nas Ilhas Baleares, devendo aumentar ainda mais nos próximos dias. O órgão pediu à população que tenha "extrema cautela", já que a atual onda de calor se combina com tempestades secas e poeira proveniente do deserto do Saara. Embora as temperaturas devam recuar ligeiramente em algumas áreas na quinta-feira, a previsão é de que um vento seco vindo do oeste provoque uma nova onda de calor nas regiões mediterrâneas, onde as máximas podem atingir entre 42°C e 44°C. Uma queda mais significativa das temperaturas é esperada a partir de sexta-feira. No entanto, o alívio pode durar pouco. As temperaturas devem voltar a subir a partir de domingo, e o calor intenso poderá retornar a grande parte da Espanha no início da próxima semana. Os incêndios florestais já consumiram neste ano uma área maior na Europa do que a média anual registrada nas últimas duas décadas, mostram dados, em um momento em que o continente que mais aquece no mundo enfrenta, até agora, três ondas de calor sufocantes praticamente consecutivas. Na França, onde dois bombeiros morreram na terça-feira quando o caminhão em que estavam foi cercado pelas chamas na região sudoeste de Gironde, as autoridades pediram que a população evitasse usar churrasqueiras nas áreas atingidas pela onda de calor, ressaltando que nove em cada dez incêndios florestais começam, acidentalmente ou não, em decorrência da ação humana. Por outro lado, temperaturas mais amenas e ventos mais fracos favoreceram o combate a um incêndio florestal que já consumiu 2.500 hectares na região de Var, no sudeste do país, danificou dezenas de casas e obrigou 400 pessoas a deixar suas residências, informaram autoridades locais. Mas o risco de novos incêndios continuará muito elevado no oeste e sudoeste da França durante o restante da semana, assim como no sudeste pelo menos até quinta-feira, segundo o serviço meteorológico Meteo France. Um helicóptero de combate a incêndios florestais lança água sobre um incêndio em uma área montanhosa perto de Freissinières e L'Argentière-la-Bessée, nos Altos Alpes, enquanto as condições de seca se agravam após uma onda de calor e escassez de água em grande parte da França , 22 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Alexandre Dimou Na região de Var, helicópteros lançam água sobre o incêndio, que continua ativo, desde o início da manhã. "A situação tem sido muito difícil", disse à rádio RMC o comandante William Vogl, porta-voz dos bombeiros da região de Var. Segundo ele, o incêndio ainda não foi controlado, mas os ventos devem estar "mais favoráveis" nesta quarta-feira. O prefeito Simon Babre informou que os churrascos foram proibidos e também pediu aos municípios que cancelassem os tradicionais shows de fogos de artifício do verão. Autoridades disseram que outro incêndio continua ativo na região de Hautes-Alpes, também no sudeste da França. Enquanto isso, nos Bálcãs Ocidentais, o principal risco passou das ondas de calor para tempestades de granizo, que deixaram vários feridos na Macedônia do Norte e no leste de Kosovo. Cientistas afirmam que as mudanças climáticas provocadas pela atividade humana aumentam a intensidade das ondas de calor, das secas e dos incêndios florestais, além de criarem condições para tempestades repentinas e destrutivas. O Reuters Climate Monitor, ferramenta interativa que fornece dados em tempo real, mostrou que a temperatura máxima média prevista para a Europa Ocidental é de 26,6°C nesta quarta-feira, cerca de 3°C acima da média histórica para 22 de julho no período entre 1961 e 1990. Na Grécia, onde as temperaturas devem superar os 41°C, as autoridades proibiram o trabalho ao ar livre durante as horas de maior calor. Em Chipre, país acostumado às altas temperaturas do verão, o trabalho externo também foi proibido durante a tarde desta quarta-feira. Em Skopje, capital da Macedônia do Norte, 11 pessoas foram hospitalizadas, três delas com ferimentos graves, depois que uma tempestade na noite de terça-feira derrubou árvores, danificou telhados e provocou apagões em várias regiões do país, segundo a imprensa local. Estradas ficaram bloqueadas e algumas cidades ficaram sem energia elétrica e abastecimento de água. Em Kosovo, o Instituto Hidrometeorológico informou que novas tempestades são esperadas nesta quarta-feira e alertou para a possibilidade de descargas elétricas, danos à rede elétrica, interrupções no fornecimento de energia, inundações e prejuízos materiais. A imprensa local exibiu imagens de telhados sendo arrancados pelo vento, chuvas torrenciais e moradores cobrindo seus carros com cobertores na terça-feira para protegê-los do granizo.