Os incêndios florestais que atingem o sul da Europa continuam avançando nesta quarta-feira, impulsionados por uma combinação de calor extremo, seca prolongada e ventos fortes. Na França, o maior incêndio do país desde 1949 — que já devastou uma área quatro vezes maior que Paris — voltou a preocupar as autoridades após uma breve trégua durante a noite. Na Espanha, dezenas de milhares de pessoas começaram a retornar para casa depois de dias de deslocamentos em massa, embora focos ainda permaneçam fora de controle. Na Grécia, três bombeiros morreram durante o combate às chamas, enquanto a Turquia mobilizou mais de 3 mil bombeiros para conter quase uma centena de incêndios em importantes regiões turísticas. No auge da emergência, cerca de 330 mil pessoas precisaram deixar casas e destinos turísticos na França e na Espanha. Enquanto parte dos moradores começa a retornar, as autoridades alertam que o risco permanece elevado e que as condições climáticas devem continuar favorecendo a propagação do fogo. A União Europeia também advertiu que o perigo de incêndios deve avançar para o centro do continente nos próximos dias. A principal frente de combate às chamas continua na região francesa de Gironde, no sudoeste do país, onde cerca de 42 mil hectares de vegetação foram destruídos e mais de 220 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas desde o início da crise. Após uma noite considerada tranquila, as chamas deixaram de avançar temporariamente, mas a expectativa de temperaturas próximas dos 40°C e da intensificação dos ventos aumentou novamente a preocupação das autoridades. Voluntários ajudam bombeiros a combater um incêndio florestal em Lanton, em 29 de julho de 2026, durante os incêndios na região de Gironde, no sudoeste da França — Foto: ED JONES / AFP Mais de 2,2 mil bombeiros e mais de 20 aeronaves permanecem mobilizados para conter o incêndio, com apoio de equipes de diversas regiões francesas e de países parceiros da Europa. — Agimos rapidamente e com força diante de qualquer novo foco de fumaça — afirmou o comandante dos bombeiros de Gironde, Matthieu Jomain. As autoridades também determinaram a evacuação de mais 4 mil pessoas de áreas turísticas da costa atlântica, enquanto cerca de 60 mil moradores puderam retornar a três subúrbios de Bordeaux que permaneceram fora da área atingida pelas chamas. — A situação continua complicada. Isso é evidente. Ainda não estamos fora de perigo — alertou a prefeita de Gironde, Sophie Brocas. Devido ao ressecamento da vegetação, investigadores acreditam que o incêndio pode ter começado durante um trabalho rotineiro de limpeza de mato próximo a uma linha de alta tensão da operadora Enedis. A hipótese é que uma máquina utilizada para cortar a vegetação tenha provocado as primeiras faíscas, embora o serviço aparentemente estivesse dentro das normas de segurança, segundo a agência de notícias Associated Press. O fogo também provocou um fenômeno inédito no país: uma nuvem de fumaça do tipo pyrocumulonimbus, eletrificada e iluminada internamente, que gerou raios, ventos intensos e novos focos de incêndio além da frente principal. Independentemente da evolução dos incêndios nos próximos dias em Gironde, "o fogo continuará queimando sob a superfície durante semanas, talvez até anos", advertiu à AFP o tenente dos bombeiros Cyril Venière. Segundo o serviço meteorológico francês Météo-France, esta quarta-feira deve ser o dia mais quente e seco da semana no país, com risco elevado de incêndios em todas as regiões. A seca já atinge toda a França continental e a Córsega, enquanto os níveis de umidade do solo se aproximam do recorde registrado em agosto de 2022. Espanha inicia retorno de moradores Na Espanha, dezenas de milhares de pessoas começaram a voltar para casa após o avanço dos bombeiros nas regiões de Madri e Ávila, onde ocorreu aquele que as autoridades classificaram como o maior incêndio florestal da história recente do país. Concepcion Garcia entra em sua casa pela primeira vez após ela ter sido destruída por um incêndio florestal devastador que varreu áreas da cidade de Navas del Rey, a 55 quilômetros a sudoeste de Madri, em 29 de julho de 2026 — Foto: MIGUEL RIOPA / AFP As ordens de evacuação foram suspensas para cerca de 20 mil moradores da região de Madri, enquanto outros 14 mil deixaram de ser obrigados a permanecer em casa. Apesar da melhora do cenário, aproximadamente 10 mil pessoas continuam sob ordens de evacuação na província de Castellón, onde um incêndio segue fora de controle enquanto o país se prepara para enfrentar sua quarta onda de calor do verão. O retorno dos moradores foi marcado tanto pelo alívio quanto pela destruição. — Não tenho dinheiro, não tenho documentos, não tenho casa — lamenta José Fernández, de 74 anos, ao encontrar apenas móveis queimados, paredes parcialmente destruídas e montes de cinzas onde antes ficava sua residência em Pelayos de la Presa. Em Aldea del Fresno, porém, Susana Barrul comemorou o fato de sua casa ter escapado das chamas. — Estamos felizes por voltar. Estamos tentando retomar a normalidade — diz. Grécia registra mortes de bombeiros Na Grécia, dois bombeiros morreram enquanto combatiam um incêndio na região de Rethymno, na ilha de Creta. Eles integravam uma força de aproximadamente 125 bombeiros que atuava com apoio de quatro helicópteros e quatro aviões de combate ao fogo. Esta foto mostra uma área queimada durante um incêndio florestal, ao sul de Rethymno, na ilha grega de Creta, em 29 de julho de 2026 — Foto: COSTAS METAXAKIS / AFP As circunstâncias das mortes não foram esclarecidas. Segundo o Corpo de Bombeiros grego, eles morreram "no cumprimento do dever para proteger a vida, os bens dos cidadãos e o meio ambiente". Um terceiro bombeiro morreu no sul do país após combater outro incêndio na região do Peloponeso. As equipes de emergência também combatiam um novo incêndio na ilha de Paros. Turquia combate quase 100 incêndios Na Turquia, mais de 3 mil bombeiros combatiam 90 focos de incêndio nesta quarta-feira. Segundo o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, 81 deles já foram controlados, mas as equipes continuam atuando nas regiões turísticas de Mugla, Balikesir, Antália e Canakkale. Na província de Mugla, centenas de bombeiros e mais de 20 aviões e helicópteros trabalham para conter o maior incêndio do país. O fogo começou em áreas agrícolas antes de atingir uma floresta, obrigando à evacuação de 202 moradores e de pacientes de um hospital. A fumaça também levou ao fechamento da principal rodovia entre Antália e Fethiye, enquanto o acesso ao sítio arqueológico de Olympos foi interditado. A Turquia ainda enviou dois aviões de combate a incêndios para a Espanha e outros dois para a França para auxiliar no enfrentamento das chamas. De acordo com o serviço climático Copernicus, da União Europeia, a Europa é o continente que mais aquece no planeta, com temperaturas aumentando mais que o dobro da média global. O órgão informou que a Europa Ocidental registrou o mês de junho mais quente da história e atribuiu a intensificação dos incêndios na França e na Espanha à combinação de calor extremo e seca prolongada. (Com AFP)
França enfrenta incêndio quatro vezes maior que Paris; Grécia e Turquia também combatem grandes focos
Espanha começa a liberar o retorno de milhares de deslocados, enquanto calor extremo, seca e ventos fortes mantêm risco elevado de propagação das chamas na Europa













