"Este é um incêndio de uma dimensão nunca vista antes", afirmou Jerome Steffe, prefeito de Cestas; Espanha também luta para controlar fogo Bombeiros combatem um incêndio florestal perto de Le Las, nos arredores de Bordeaux, França — Foto: Foto AP/Emma Da Silva Bombeiros combatiam, nesta segunda-feira (27), grandes incêndios florestais que ameaçam a cidade francesa e a região vinícola de Bordeaux, enquanto equipes na Espanha lutavam para controlar uma série de queimadas que se alastram desde a semana passada, resultado de um verão extremamente quente e seco na Europa Ocidental. Cerca de 220 mil pessoas, entre turistas e moradores, foram evacuadas na França. Na vizinha Espanha, quase 100 mil pessoas foram orientadas a deixar suas casas, informaram as autoridades. Os incêndios na França, que começaram na semana passada perto da costa atlântica, estão agora a apenas 15 quilômetros dos acessos à principal área metropolitana de Bordeaux. "Dimensão nunca vista antes" "Este é um incêndio de uma dimensão nunca vista antes", afirmou nesta segunda-feira Jerome Steffe, prefeito de Cestas, um dos municípios localizados nos arredores de Bordeaux. Na Espanha, o avanço dos grandes incêndios que convergem para a região central do país diminuiu durante a noite graças a condições climáticas mais favoráveis, informaram as autoridades. No entanto, um foco separado na província oriental de Castellón continua fora de controle, enquanto a agência meteorológica alerta para uma nova onda de calor nesta semana. "O que estamos vivendo não é uma sucessão de eventos isolados. É a expressão mais dolorosa de uma emergência climática que está tornando os incêndios de sexta geração mais ferozes, as ondas de calor mais frequentes e nosso território mais vulnerável", disse o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, nesta segunda-feira. Os chamados incêndios de sexta geração representam a categoria mais extrema e incontrolável de incêndios florestais. Eles são capazes de gerar seu próprio sistema meteorológico e destruir milhares de hectares por hora. Muitos cientistas atribuem esse tipo de incêndio e as ondas de calor às mudanças climáticas provocadas pela ação humana. Maria Angeles Serrano, uma moradora evacuada em Castellón, afirmou temer pela destruição da natureza: "Os danos materiais são uma coisa, e isso pode ser reparado, por assim dizer. O que realmente dói é a perda emocional." Impacto econômico já é sentido Os incêndios nos arredores de Bordeaux, no sudoeste da França, provocaram um forte impacto na economia regional, afirmou nesta segunda-feira o ministro das Finanças, Roland Lescure. A região é um dos principais polos da produção de vinho da França e um importante destino turístico. "É como um raio caindo sobre uma região que definitivamente não precisava passar por isso", disse Lescure a jornalistas. O governo do presidente Emmanuel Macron deve discutir a situação dos incêndios durante uma reunião ministerial nesta segunda-feira. No centro da Espanha, três frentes distintas permaneciam ativas nas montanhas a noroeste de Madri. As autoridades estimam que, somadas, as queimadas já consumiram 77 mil hectares nas províncias de Madri, Toledo e Ávila. O incêndio em Ávila foi classificado como o maior da história recente da Espanha. Janela de oportunidade "Hoje e amanhã são dias absolutamente cruciais para combater este incêndio. A partir de quarta-feira, as previsões meteorológicas se tornam significativamente mais desfavoráveis para as operações de combate ao fogo, mas seguimos confiantes", afirmou o ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska. A França enfrenta situação semelhante. As condições climáticas são mais favoráveis nesta segunda-feira, antes de as temperaturas voltarem a subir e alcançarem até 37°C na região de Bordeaux ao longo desta semana, segundo previsões do serviço meteorológico francês. "É uma corrida contra o tempo antes que a onda de calor retorne", disse o prefeito de Cestas, Jerome Steffe. Tanto em Bordeaux quanto em Ávila, as temperaturas máximas de julho registraram média de 32°C, cerca de 6°C acima da média histórica para o mês no período entre 1961 e 1990, segundo o Reuters Climate Monitor. Resposta sob escrutínio A dimensão dos incêndios florestais deste verão na Europa está pressionando os recursos destinados ao combate ao fogo e levantando questionamentos sobre a capacidade de resposta das autoridades. No âmbito do mecanismo de proteção civil da União Europeia, Grécia e Itália enviaram, cada uma, dois aviões anfíbios Canadair para a Espanha, enquanto Portugal deslocou mais de 100 militares, além de equipamentos, para apoiar as operações. Outras duas aeronaves devem chegar da Turquia, informou o Ministério do Interior da Espanha. A Suíça também está apoiando a França, enviando dois helicópteros Super Puma com suas respectivas equipes, após um pedido de ajuda feito por Paris.