O Ministério Público de São Paulo instaurou um inquérito civil para investigar a atuação da Polícia Militar na abordagem feita à Emei Antônio Bento, no Caxingui , zona oeste da capital, após um pai denunciar uma atividade escolar sobre cultura afro-brasileira. O procedimento também vai apurar eventual responsabilidade civil do Estado pelos fatos.

O caso ocorreu em novembro de 2025, quando o pai de uma aluna de 4 anos —que também é soldado na Polícia Militar— contestou à direção uma atividade baseada no livro "Ciranda em Aruanda", que aborda a mitologia dos orixás dentro do currículo de educação para as relações étnico-raciais.

O pai da estudante, um policial militar que se disse cristão, não gostou que a filha tivesse realizado um desenho relacionado a outra religião. Ele então acionou a Polícia Militar, que enviou equipes armadas para a escola.

Na portaria, assinada na quarta (29), o promotor Bruno Orsini Simonetti afirma que há indícios de discriminação racial na modalidade de intolerância religiosa e de constrangimento sofrido pela equipe gestora da escola. O documento também registra que não havia notícia de flagrante delito que justificasse a ação policial na unidade de ensino.

O MP-SP afirma ainda que a Corregedoria da Polícia Militar deverá aprofundar a investigação. A Secretaria da Segurança Pública havia concluído, em apuração preliminar, que não havia indícios de transgressão disciplinar por parte dos policiais envolvidos.