Unidades novas pesam nos investimentos e podem afetar as margens, mas melhoram receita, aponta comando da Abras No acumulado do ano, as vendas do setor cresceram mais lentamente — até maio se expandiram 2,47% e até junho, passaram a crescer 2,49% — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo O vice-presidente da Abras, a associação dos supermercados, Marcio Milan, disse, na manhã desta quinta-feira (30), que mesmo nesse período de maior custo do capital para as empresas, as varejistas têm buscado abrir mais lojas para tentar melhorar as vendas, que têm sofrido desaceleração. Unidades novas pesam nos investimentos e podem afetar as margens, mas melhoram receita. Dados publicados nesta quinta-feira mostram que, no acumulado do ano, as vendas do setor cresceram mais lentamente — até maio se expandiram 2,47% e até junho, passaram a crescer 2,49%. Anteriormente, entre março e abril, por exemplo, a alta acumulada havia passado de 1,92% para 2,18%, e de abril para maio, de 2,18% para 2,47% — logo, um ritmo mais acelerado. “Frente a 2025, há um ritmo maior de inaugurações e essas aberturas têm sido organizadas com muito mais promoções, então o que estamos observando é para ver se isso é tendência ou não”, disse Milan, durante coletiva de imprensa de divulgação de indicador de vendas do mês de junho. O executivo lembrou que parte dessas aberturas tem sido feitas em cima de lojas que exigem menos capital, sendo pontos de baixo custo, como unidades em condomínios e em modelos de “container”. Tratam-se de pontos menores e mais baratos, num período de taxa de juros em dois dígitos, o que eleva o custo dos recursos para as companhias. As grandes varejistas de capital aberto do país já têm afirmado que há um cenário de consumo em desaquecimento no país, especialmente na quantidade vendida — e com números negativos para esse indicador de 2025 para cá, a depender do mês, segundo relatórios de empresas como NielsenIQ e Scanntech. Isso por conta do aumento do endividamento da população, o crescimento das “bets” e a expansão do novo modelo de consignado. Além disso, o aumento da inflação neste ano, se eleva a receita nominal das cadeias inicialmente, no longo prazo também contribui para uma perda de volume vendido das lojas. A Abras decidiu manter a projeção de alta de 3,2% no aumento das vendas deste ano frente a 2025, diz Milan, porque há variáveis positivas, como o fato de ser um ano de eleições que eleva o volume de recursos circulando na economia — há mais de R$ 200 bilhões de injeção de novos recursos por parte do governo federal neste ano — e também pelo apoio de indicadores macroeconômicos, como novos recordes de emprego. “Além disso, quando tem inauguração de loja, tem promoção, e isso tem ajudado a sustentar nossa projeção de alta de 3,2% no ano”, disse ele.
Lojas abrem com muito mais promoções, diz associação dos supermercados
Unidades novas pesam nos investimentos e podem afetar as margens, mas melhoram receita, aponta comando da Abras







