As vendas no setor supermercadista brasileiro registraram alta de 1,48% em abril na comparação com março, consolidando crescimento de 2,18% no primeiro quadrimestre de 2026. Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), nesta quinta-feira, 28, o desempenho é 3,17% superior ao observado em abril do ano passado. Apesar do avanço, a entidade destaca que o ritmo de expansão tem sido mais lento do que em 2025, quando o setor já operava em patamares mais elevados desde o início do ano. Vice-presidente da Abras, Marcio Milan disse que o cenário reflete cautela maior das famílias. “Embora haja estímulos importantes de renda em circulação, como o reajuste do salário mínimo, a ampliação da faixa de isenção do imposto de renda e a continuidade dos programas de transferência de renda, o crescimento das vendas ocorre de forma gradual. Isso mostra que parte desses recursos ainda vem sendo absorvida pelo orçamento das famílias, especialmente com despesas financeiras, contas recorrentes e recomposição do poder de compra”, analisou o executivo, durante coletiva de imprensa. A movimentação financeira de abril contou com o reforço da antecipação do 13º salário para aposentados e pensionistas do INSS, que injetou R$ 78,2 bilhões na economia, além de R$ 12,8 bilhões do Bolsa Família e R$ 5,4 bilhões do PIS/Pasep. Somam-se a isso as mudanças na tabela do imposto de renda, que elevaram a renda disponível para quem ganha até R$ 7.350 mensais, e o impacto anual de R$ 81,7 bilhões decorrente do novo salário-mínimo. Pelo lado dos preços, o indicador AbrasMercado, que monitora 35 produtos de largo consumo, subiu 1,98% em abril, acumulando alta de 4,55% no ano. O leite longa vida foi a principal pressão do mês, com salto de 13,66%, enquanto o feijão já acumula alta de 32,56% no quadrimestre. Milan pontuou que fatores externos têm dificultado o recuo dos preços: “A dinâmica das vendas permanece ligada ao comportamento dos preços dos alimentos. Parte dessa pressão está associada à sazonalidade e aos efeitos climáticos sobre a produção agrícola, com impacto direto na oferta, somada à elevação dos custos logísticos”. No recorte regional, o Norte segue com a cesta de 35 produtos mais cara do país, atingindo R$ 922,44, enquanto o Nordeste mantém o menor valor médio, de R$ 751,53. Na cesta de 12 produtos básicos, a variação mensal foi de 2,85%, com destaque para as capitais Belém (R$ 441,18) e Fortaleza (R$ 306,53) nos extremos do ranking de custos. Fim da escala de trabalho 6x1 Durante a coletiva, a Abras também se posicionou sobre a discussão do fim da escala de trabalho 6x1. A entidade manifestou apoio à escala 5x2, mas alertou para a necessidade de flexibilização nas regras de contratação para evitar prejuízos ao setor e ao consumidor final. Segundo a associação, o setor já convive com mais de 300 mil vagas em aberto que precisam ser preenchidas. Sobre o tema, Milan defendeu um debate mais técnico e menos político. “O que nós precisamos é de um modelo mais flexível de contratação, um modelo mais moderno, que amplie a inclusão e não comprometa a capacidade da contratação do setor. Caso essas decisões sejam tomadas sem uma análise mais técnica e setorial, pode trazer, sim, algum impacto para o consumidor no final”, disse o executivo.