0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Inflação recua no grupo de alimentação, mas efeito do El Niño preocupa — Foto: Magnific O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou a segunda queda consecutiva em julho, com recuo de 1,16%. Em junho, a retração havia sido de 0,50%. No acumulado de 12 meses, o índice registra alta de 2,76%, abaixo dos 2,96% registrados nos 12 meses encerrados em julho de 2025. O resultado negativo foi puxado principalmente pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que caiu 1,74%, sob efeito do recuo dos preços dos combustíveis e derivados. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) também desacelerou em relação a junho: registrou queda de 0,01%, ante alta de 0,47% no mês anterior. Para o consumidor, o maior impacto veio do grupo Alimentação, que recuou 0,74%, após alta de 1,02% em junho. Segundo Matheus Dias, pesquisador do FGV Ibre, ainda não é possível afirmar categoricamente que haverá uma desaceleração mais intensa da inflação à frente . Mas é inegável que o comportamento dos preços dos alimentos vem surpreendendo positivamente, diz o economista. A preocupação, ressalta, está nos possíveis impactos do El Niño, que deu seu cartão de visita ontem com rajadas de vento superior aos 100km/h. — Temos tido uma oferta grande de diversas safras, como tubérculos, frutas e grãos. Isso tem contribuído, de alguma forma, para a queda dos preços dos alimentos. A grande questão é o El Niño, que entra como fator de risco para a continuidade desse movimento. E o El Niño incide sobre um período que, historicamente, é desfavorável para os alimentos, que é o verão, quando há toda a questão da amplitude térmica e do volume intenso de chuvas — explica Dias. O pesquisador do FGV Ibre destaca ainda que os movimentos de alta ou de baixa nos preços dos alimentos in natura são rapidamente repassados ao consumidor. Já os combustíveis, que têm sido um fator decisivo para as taxas de inflação neste ano, em meio aos efeitos da guerra no Oriente Médio, têm um repasse mais longo, com maior defasagem. — Os combustíveis têm uma importância bastante grande nos preços ao produtor e também nos preços ao consumidor. Já temos visto que esse movimento tem sido bastante rápido. Gasolina, diesel e etanol — que, apesar de não ser um derivado de petróleo, tem se beneficiado de boas safras de milho e cana-de-açúcar — caem tanto no preço do produtor quanto no consumidor. Mas esse movimento não necessariamente antecipa uma desaceleração mais prolongada da inflação. É algo bastante pontual. Vale lembrar que os serviços continuam rodando acima da inflação média, fator que continuará pressionando os preços até o fim do ano — avalia o economista.
IGP-M tem segunda queda seguida em julho, com recuo de alimentos e combustíveis
IGP-M tem segunda queda seguida em julho, com recuo de alimentos e combustíveis








