0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Queda no preço do petróleo, no início deste mês, puxou retração do IGP-10 — Foto: Brenno Carvalho RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/07/2026 - 09:09 Queda do IGP-10 em julho é ameaçada por petróleo e El Niño O IGP-10 teve queda de 1,13% em julho, influenciado pela redução do IPA. Entretanto, o aumento do preço do petróleo, impulsionado pela tensão entre EUA e Irã, pode reverter essa tendência. Além disso, a possível ocorrência do El Niño ameaça a estabilidade dos preços dos alimentos. A queda nos preços dos bovinos também contribuiu para a retração do IGP-10, mas a demanda interna moderada pode alterar essa dinâmica. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) ampliou a queda em julho, com retração de 1,13%, após recuo de 0,30% em junho. O resultado foi puxado pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que caiu 1,76%. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) também desacelerou, mas permaneceu em terreno positivo, com alta de 0,23%. O indicador, que é uma prévia da inflação medida pelo IGP, ainda refletiu a volta do preço do barril de petróleo aos níveis anteriores ao conflito no Oriente Médio, no início deste mês, quando a cotação chegou à faixa de US$ 70. O cenário, no entanto, mudou nas últimas semanas. Desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o fim do cessar-fogo com o Irã, o petróleo voltou a subir e chegou a US$ 86 nesta sexta-feira. O movimento indica que esse alívio pode não se repetir daqui para frente, caso os ataques no Oriente Médio persistam e continuem afetando o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto da produção mundial de petróleo. — O que temos observado nos dados, especialmente nos combustíveis, é que eles reagem com uma defasagem bastante curta. Ou seja, ocorre um choque no preço do petróleo e, em poucos dias, os combustíveis já respondem, tanto nas altas quanto nas quedas. Essa nova onda de valorização do barril e dos derivados pressiona os custos, que acabam sendo repassados primeiro ao produtor e depois ao consumidor — afirma Matheus Dias, pesquisador do FGV Ibre. Outro fator que vinha contribuindo para a desaceleração da inflação de alimentos era a boa safra registrada no início do ano. Segundo Dias, porém, esse cenário pode ser afetado pela maior probabilidade de ocorrência do El Niño, com impactos mais intensos sobre as culturas de ciclo curto, como hortaliças, verduras e frutas. — Os meteorologistas têm atribuído uma elevada probabilidade de ocorrência do El Niño no último trimestre. Mesmo que o fenômeno não seja de forte intensidade, ele já pode provocar impactos. Esses efeitos, no entanto, não ocorrem de forma homogênea. Dependendo da intensidade do El Niño, algumas safras podem até ser beneficiadas, enquanto outras podem sofrer impactos que só serão percebidos no início de 2027. O que observamos é que produtos de ciclo mais curto tendem a ser mais afetados do que culturas de ciclo mais longo — explica o pesquisador. Além do petróleo e dos efeitos positivos da boa safra, outro destaque entre os itens que contribuíram para a retração do IGP-10 foi a queda de 2,18% no preço dos bovinos, aprofundando o recuo de 1,30% registrado em junho. O atingimento da cota estabelecida China às importações de carne brasileira, a partir desse patamar a sobretaxa às importações, é apontada como uma das razões para esse movimento, mas não a única. — Esse era um movimento esperado pelos produtores. Já se projetava que a cota poderia ser esgotada entre julho e agosto. Mas há outro fator importante: temos observado uma moderação da demanda no mercado interno, o que faz com que a oferta fique excedente. A reposição dos estoques ocorre de forma mais lenta, pressionando os preços para baixo — ressalta Dias.
IGP-10 amplia queda em julho, mas nova alta do petróleo e El Niño ameaçam alívio da inflação
IGP-10 amplia queda em julho, mas nova alta do petróleo e El Niño ameaçam alívio da inflação









