A fabricante de carros de luxo atribuiu a queda dos resultados ao forte recuo das vendas na China e ao impacto do conflito no Oriente Médio sobre a confiança dos consumidores A BMW revisará práticas de trabalho que antes eram consideradas “intocáveis”, segundo afirmou nesta quinta-feira (30), após uma queda de 35% no lucro antes de impostos no segundo trimestre evidenciar as pressões sobre o setor automotivo alemão. A fabricante de carros de luxo atribuiu a queda dos resultados ao forte recuo das vendas na China e ao impacto do conflito no Oriente Médio sobre a confiança dos consumidores. O lucro antes dos impostos caiu para 1,7 bilhão de euros (US$ 1,95 bilhão), enquanto a margem operacional de seu principal negócio automotivo recuou para 2,3%, ante 5,4% um ano antes. Ainda assim, o resultado ficou ligeiramente acima da previsão consensual dos analistas, de 2,2%. Os resultados, classificados pelo novo diretor-presidente, Milan Nedeljkovic, como “não satisfatórios”, encerram uma semana marcada por balanços decepcionantes e anúncios de reestruturação por parte das montadoras alemãs. A Porsche e sua controladora, a Volkswagen, também estão cortando empregos e reformulando suas operações, enquanto o setor enfrenta demanda fraca e concorrência crescente de rivais chinesas. “A indústria automotiva enfrenta desafios que se intensificam rapidamente. A forte concorrência global, o aumento das exigências regulatórias regionais e as implicações dos conflitos geopolíticos moldarão nosso modelo de negócios nos próximos anos”, afirmou Nedeljkovic. A BMW espera se tornar mais enxuta e competitiva por meio de um programa de desligamento voluntário e de uma revisão de estruturas estabelecidas há muito tempo. “Estamos fazendo uma análise crítica da forma como trabalhamos, incluindo a revisão de processos e estruturas centrais que antes eram considerados intocáveis”, disse Nedeljkovic, sem dar exemplos específicos. A BMW manteve sua projeção para o ano, prevendo uma margem operacional entre 1% e 3% na divisão automotiva, após emitir um alerta de lucro em junho que levou ao início de negociações com os trabalhadores sobre cortes de custos. A empresa pretende eliminar 8 mil postos de trabalho por meio de um programa de demissão voluntária já acordado, informou uma fonte na quarta-feira. Nedeljkovic se recusou a comentar esse número. Ele afirmou que o processo de reestruturação incluirá racionalização nas áreas de vendas, compras, produção e desenvolvimento. A empresa também reduzirá seu portfólio de produtos, revisando variantes de modelos em determinados mercados, à medida que a adoção de veículos elétricos segue ritmos diferentes entre países como a China, onde esses veículos predominam, e os Estados Unidos, onde os automóveis com motor a combustão continuam populares. Após o alerta de lucro divulgado em junho e a consequente queda das ações, analistas da Bernstein afirmaram que os investidores estavam concentrados em saber se “a administração tem um plano confiável para restaurar a confiança”. O volume global de vendas da BMW caiu cerca de 5% no segundo trimestre, pressionado por uma queda de 30% na China, onde observadores do setor alertaram que a nova linha de veículos elétricos da empresa pode ter chegado tarde demais para ganhar espaço em um mercado dinâmico e impulsionado por tecnologia. A prolongada desaceleração do mercado automotivo chinês, o maior do mundo, aumentou a pressão sobre as montadoras estrangeiras, enquanto fabricantes chinesas, impedidas de expandir no mercado dos Estados Unidos, voltam-se cada vez mais para a Europa em busca de crescimento. Nedeljkovic afirmou que o impacto das montadoras chinesas na Europa ainda não aparece nos números de vendas da BMW, mas disse que a empresa trabalhará para manter sua oferta atrativa e enfrentar esse desafio. A BMW espera se tornar mais enxuta e competitiva por meio de um programa de desligamento voluntário e de uma revisão de estruturas estabelecidas há muito tempo — Foto: Bloomberg
BMW vai revisar práticas antes consideradas ‘intocáveis’ após queda do lucro
A fabricante de carros de luxo atribuiu a queda dos resultados ao forte recuo das vendas na China e ao impacto do conflito no Oriente Médio sobre a confiança dos consumidores















