"Não podemos nos dar ao luxo de perder esta. Portanto, não acho que seja o momento de fazer economias. […] Vamos despejar dinheiro nisso." A frase aparece em um memorando de 23 de julho de 1964 do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, revelando a operação clandestina destinada a favorecer Eduardo Frei nas eleições chilenas.
A fim de descarregar a nação chilena dos maus olhados da esquerda, Washington lavou o igbá da candidatura de Frei com milhões de dólares abençoados. E ele venceu com maioria absoluta.
Em tempos mais recentes, seria difícil surpreender um funcionário americano a retirar das ceroulas um maço de notas e a confiá-lo, entre piscadelas de olhos, ao tesoureiro salivante de uma candidatura. Os novos itinerários são mais decorosos.
O dinheiro parte de uma agência governamental, atravessa fundações, organizações não governamentais e institutos privados, muda sucessivamente de nome e chega ao destino sob a forma respeitável de consultores, assistência técnica e promoção democrática.
Na Sérvia, em 2000, o Congresso americano destinou US$ 14 milhões aos partidos da oposição e a organizações civis —uma soma providencial canalizada não às claras, mas através da engrenagem oficiosa de organizações intermediárias como o NED (National Endowment for Democracy) e o NDI (National Democratic Institute). Ambas foram fundadas em 1983 durante o governo Reagan.









