Longa do diretor Cédric Klapisch ('Albergue espanhol') 'vai e volta entre o fim do século XIX e 2025, distribuindo mistérios, romances, cartas escondidas e revelações sobre parentes de gerações passadas e pintores famosos'; Bonequinho olha 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 'As cores do tempo', de Cédric Klapisch — Foto: Divulgação A estrutura de “As cores do tempo” tem algo de novelinha sobre família, mas com a ideia interessante de traçar conexões temporais. Dirigida por Cédric Klapisch (o mesmo do cult “Albergue espanhol”, de 2002), a trama vai e volta entre o fim do século XIX e 2025, distribuindo mistérios, romances, cartas escondidas e revelações sobre parentes de gerações passadas e pintores famosos. O ponto de partida é a reunião de um grupo grande de primos, que precisam tomar uma decisão sobre a venda de uma casa na Normandia, que pertencera a uma antepassada. Quatro desses são eleitos como representantes da família e partem de Paris, a fim de cuidar de burocracias e checar o que há dentro do imóvel — o que os faz se interessarem em descobrir o que realmente aconteceu ali. Em paralelo, “As cores do tempo” recupera a história de Adèle (interpretada por Suzanne Lindon), a origem da árvore genealógica que une os primos e é o foco de todo o mistério. O filme tem o mérito de buscar as ligações entre passado e presente. Faz isso tanto ao criar os mesmos planos em locais com situações vividas pelos primos e por Adèle em tempos diferentes; quanto ao mostrar que o comportamento pode mudar em um século, mas os mesmos sentimentos humanos nos acompanham pela História. No entanto, a saga familiar se perde numa insistência em forçar a mão nas conexões. Em “As cores do tempo”, quase tudo precisa ser mastigado, toda emoção precisa ser sublinhada e toda imagem precisa conduzir a uma conclusão. Com isso, resvala para a cafonice. Frases como “sempre olhei para a frente, me faz bem olhar para trás”, por exemplo, parecem tiradas de perfil motivacional do TikTok. Cotação: Bonequinho olha.