0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) em julho de 2026 — Foto: Victor Piemonte/STF Na mira da tropa de choque bolsonarista, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem monitorado os resultados das mais recentes pesquisas de intenção de voto e projetado cenários de uma futura composição do Senado Federal, a partir de 2027. O objetivo é mapear o risco de avanço dos cerca de 100 pedidos de impeachment contra magistrados que atualmente tramitam na Casa. Segundo relatos obtidos pela equipe da coluna, os levantamentos internos do STF apontam que a bancada “pró-impeachment” poderia alcançar aproximadamente 40 das 81 cadeiras – bem aquém dos 54 votos exigidos para a abertura de um processo nesse sentido, conforme uma polêmica decisão do ministro Gilmar Mendes de dezembro do ano passado. Antes da determinação de Gilmar, o quórum exigido para a abertura de processo contra ministros era de maioria simples, ou seja, de 41 votos. Se ainda estivesse em vigor, isso poderia complicar a situação dos magistrados caso o cenário projetado pelo próprio Supremo se confirme na eleição, com a eleição de parlamentares do campo conservador e de bolsonaristas que têm feito campanha com um discurso anti-STF. As projeções da Corte consideram a renovação de dois terços do Senado nas eleições de outubro e a possível vitória de candidatos que aparecem bem posicionados nas pesquisas mais recentes, como Michelle Bolsonaro e Carlos Bolsonaro, que vão disputar o Senado pelo Distrito Federal e por Santa Catarina, respectivamente. O levantamento também leva em conta que outros 27 senadores continuam no cargo até 2030. Por essa projeção, a “bancada do impeachment” seria formada majoritariamente por senadores do PL, PP, União Brasil e Novo, onde estão as principais vozes críticas à atuação da Corte. Conexões Nunca na história do Senado foi aberto um processo de impeachment contra um ministro do Supremo, mas a hipótese que passou a ser discutida com mais frequência nos bastidores de Brasília com a eleição de uma bancada bolsonarista mais representativa no Senado em 2022 – e que deve ser ampliada nestas eleições. O principal alvo dos pedidos de impeachment é o ministro Alexandre de Moraes, por conta de seu papel como relator das principais investigações que fecharam o cerco contra Jair Bolsonaro e aliados, além das suas conexões pessoais e de sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, com o dono do Banco Master, o banqueiro Daniel Vorcaro. Conforme revelou a equipe do blog, Viviane fechou um contrato com o Master que previa o pagamento de R$ 129 milhões ao longo de três anos para defender os interesses de Vorcaro perante uma série de órgãos, como o Banco Central, a Receita Federal e o Cade – em todos eles, no entanto, a atuação da advogada é desconhecida. O presidente do STF, Edson Fachin, tem externado a interlocutores a preocupação sobre as investigações do caso Master acabarem arrastando o Supremo para o centro do debate eleitoral, que mais uma vez vai ser polarizado entre lulistas e bolsonaristas. Para Fachin, a melhor resposta à crise seria a implantação de um Código de Ética, mas a medida enfrenta forte resistência na Corte, especialmente de ministros que atuam na órbita de Moraes e rejeitam divulgar cachês de palestras. Intimidação Em dezembro do ano passado, Gilmar deu uma decisão que retirava o poder de parlamentares e de cidadãos comuns de pedirem a cassação de magistrados, deixando essa prerrogativa apenas nas mãos da Procuradoria-Geral da República (PGR). Após forte pressão da opinião pública e do Congresso, Gilmar voltou atrás nesse ponto, mas manteve outro trecho da decisão em que determinava que são exigidos 54 votos para abrir um pedido de impeachment contra ministros do STF, e não mais maioria simples. À época, Gilmar alegou que a “intimidação do Poder Judiciário por meio do impeachment abusivo cria um ambiente de insegurança jurídica, buscando o enfraquecimento desse poder, o que, ao final, pode abalar a sua capacidade de atuação firme e independente”. Para Gilmar, o impeachment “infundado” de ministros da Suprema Corte se insere num “contexto de enfraquecimento do Estado de Direito”. “Ao atacar a figura de um juiz da mais alta Corte do país, o ponto de se buscar sua destituição, não se está apenas questionando a imparcialidade ou a conduta do magistrado, mas também minando a confiança pública nas próprias instituições que garantem a separação de poderes e a limitação do poder”, escreveu o ministro. A eleição de 2026 vai medir o que acontece quando o próprio STF acaba minando a confiança da população.
STF monitora eleições do Senado e mapeia ‘risco impeachment’ de olho em 2027
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