0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Banco Central americano decidiu pela manutenção de juros, mas decisão não foi unânime: três diretores votaram pela alta — Foto: Anna Rose Layden/The New York Times A decisão desta quarta-feira do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) pela manutenção dos juros não deve interferir na deliberação que o Banco Central do Brasil tomará sobre a taxa Selic na próxima quarta-feira, dia 5. Para Roberto Padovani, economista-chefe do Banco BV, no entanto, a sinalização de risco de médio prazo para uma eventual alta de juros nos Estados Unidos, somada às incertezas geopolíticas, aos possíveis impactos do El Niño, especialmente, sobre os preços de energia e alimentos e à pressão sobre o dólar decorrente do cenário global, aponta para uma convergência mais lenta da inflação no Brasil. — Não necessariamente a inflação está subindo, mas a convergência para a meta deverá ser mais lenta. No curto prazo, a manutenção dos juros pelo Fed é uma boa notícia para o Banco Central. O IPCA-15 também veio benigno, melhor do que o esperado, e a atividade econômica dá sinais mistos, mas, de forma geral, de desaceleração. Isso abre espaço para o Banco Central seguir o plano de voo de calibração da política monetária, mantendo-a ainda restritiva, mas com menor intensidade — afirma Padovani. A manutenção dos juros pelo Fed era esperada pela a maioria dos analistas do mercado e reduz a pressão sobre o trecho curto da curva de juros, mas não elimina as preocupações com o risco inflacionário nos Estados Unidos. Um dos principais sinais de alerta, segundo Padovani, foi a divisão de votos no comitê. Três diretores defenderam a alta dos juros, o que, na avaliação do economista, é uma forma de comunicação de que parte da autoridade monetária americana segue preocupada com a persistência da inflação. — A decisão desta quarta-feira trouxe alívio no curto prazo porque havia o risco, ainda que minoritário, de uma alta já nesta reunião. Mas o cenário que existia no começo do ano, de cortes de juros pelo Fed, desapareceu. Hoje, a discussão é se os juros permanecem estáveis ou voltam a subir. Na minha avaliação, há uma chance considerável de elevação, porque a inflação ao consumidor nos Estados Unidos não converge para a meta há cinco anos. Houve uma sucessão de choques — pandemia, guerra na Ucrânia, tarifas e, agora, o petróleo. Talvez seja o momento de um realinhamento da política monetária — avalia Padovani.
Decisão do Fed não altera rumo da Selic, mas aponta para convergência mais lenta da inflação, avalia economista
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