Discussão sobre eventual novo aporte está relacionada à necessidade de preservar a capacidade de o FGI atender às operações do Programa Emergencial de Acesso ao Crédito (Peac) Em abril, o governo anunciou aporte de R$ 2 bilhões no FGI por meio de crédito extraordinário — Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil A equipe econômica avalia novo aporte no Fundo Garantidor de Investimentos (FGI) para reforçar a capacidade de atender às linhas de crédito que o fundo garante, entre elas o Programa Emergencial de Acesso ao Crédito (Peac), voltado a pequenas e médias empresas. O FGI também atende à linha de financiamento para aquisição de automóveis por motoristas de aplicativos e taxistas, lançada recentemente pelo governo federal e cuja execução tem avançado de forma mais lenta. Segundo o Valor apurou, a possiblidade de mais um aporte está sendo considerada diante do aumento da incerteza econômica. Em abril, o governo anunciou aporte de R$ 2 bilhões no FGI por meio de crédito extraordinário, que permite a abertura de despesas excepcionais fora do limite de gastos do arcabouço fiscal, mas computadas no resultado primário. Segundo integrantes da equipe econômica, esses recursos serão destinados ao programa de financiamento de veículos e, por isso, a disponibilidade financeira do FGI não é apontada como a explicação para a execução em ritmo lento. Uma das dificuldades da linha de automóveis está na análise de crédito dos tomadores, considerados de maior risco, além do fato de o programa ser uma novidade e ainda estar em fase de adaptação pelas instituições financeiras, disseram fontes ao Valor. Na terça-feira (28), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou, em reunião com ministros, maior empenho dos bancos públicos para acelerar a execução do programa de carros. A discussão sobre um eventual novo aporte, porém, está relacionada principalmente à necessidade de preservar a capacidade do FGI de atender às operações do Peac, que é uma linha perene, disse um integrante do governo. A avaliação da equipe econômica é que o ambiente de maior incerteza econômica impacta a preferência pela liquidez dos bancos, o que reduz o apetite para concessão de crédito, tornando os mecanismos de garantia ainda mais importantes para viabilizar essas operações. Como mostrou o Valor, após o lançamento da linha de financiamento para motoristas de aplicativos e taxistas, representantes do setor privado defenderam um reforço adicional no FGI. A preocupação era que, sem novos recursos, as garantias destinadas aos financiamentos de veículos passassem a disputar espaço com as operações do Peac, limitando o potencial de expansão do programa de automóveis, que entrou em operação no dia 19 de junho. Até o momento, cerca de R$ 3 bilhões dos R$ 30 bilhões disponibilizados para a linha de financiamento de veículos foram utilizados, conforme antecipou O Globo. Interlocutores da equipe econômica afirmam, contudo, que a execução vem melhorando com a entrada de mais bancos e o avanço gradual das operações. No caso das instituições privadas, a maior reticência em participar do programa decorre do maior risco de crédito associado ao público-alvo e do potencial considerado limitado de rentabilidade dessas operações. Nesse contexto, o FGI é visto como um instrumento importante por compartilhar o risco de inadimplência com as instituições financeiras. Em caso de não pagamento do financiamento, parte das perdas é coberta pelo fundo garantidor, reduzindo a exposição dos bancos. Recentemente, o governo decidiu ampliar o alcance da linha de carros para permitir também o financiamento de veículos seminovos, e não apenas de veículos novos. A mudança foi incluída na Medida Provisória das dívidas rurais. A proposta visava justamente ampliar o acesso ao crédito de trabalhadores que tradicionalmente enfrentam maior dificuldade para obter financiamento, ao permitir a aquisição de veículos de menor valor.