O fortalecimento do transporte e da logística é condição indispensável para aumentar a competitividade da economia, integrar as diferentes regiões do país e promover o desenvolvimento sustentável. Com esse entendimento, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) lança a publicação “O Transporte Move o Brasil — propostas da CNT ao país”, que reúne uma agenda estratégica para orientar políticas públicas e aperfeiçoar o ambiente de negócios do setor nos próximos anos. Resultado de um amplo trabalho técnico conduzido pela CNT em conjunto com as entidades representativas do setor, a publicação apresenta diversas propostas estruturantes para enfrentar os principais desafios do transporte nacional, contemplando infraestrutura, ambiente regulatório, segurança pública, descarbonização, desenvolvimento humano, relações de trabalho, participação social e fortalecimento de todos os modos de transporte. O documento será apresentado aos presidenciáveis nos dias 18 e 19 de agosto, no Fórum CNT de Debates. A publicação defende que o transporte ocupe posição central na agenda de Estado, com planejamento de longo prazo, ampliação dos investimentos públicos e privados, fortalecimento da multimodalidade e adoção de políticas que garantam maior previsibilidade regulatória, eficiência logística e sustentabilidade. O Brasil precisa compreender que infraestrutura de transporte deve ser tratada como uma política permanente de Estado, baseada em planejamento técnico, previsibilidade e continuidade. Sem visão de longo prazo, o país perde eficiência, desperdiça recursos públicos, afasta investidores e compromete sua competitividade Vander Costa, presidente do Sistema Transporte — Foto: Divulgação “O Brasil precisa compreender que infraestrutura de transporte deve ser tratada como uma política permanente de Estado, baseada em planejamento técnico, previsibilidade e continuidade. Sem visão de longo prazo, o país perde eficiência, desperdiça recursos públicos, afasta investidores e compromete sua competitividade”, afirma o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa. A avaliação é compartilhada por representantes do setor. Para o vice-presidente do Grupo Águia Branca, Renan Chieppe, a continuidade dos investimentos e a previsibilidade das regras são fundamentais para dar segurança ao planejamento de longo prazo. “Isso permite manter investimentos em renovação da frota, tecnologia, segurança operacional e melhoria da experiência do cliente. Os avanços mais urgentes são a modernização da malha rodoviária, a melhoria da segurança viária e o fortalecimento da educação para um trânsito mais seguro”, acredita Chieppe. Estabilidade regulatória Na mesma linha, o CEO da Jamef Transportes, Marcos Rodrigues, destaca que a estabilidade regulatória é decisiva para sustentar investimentos: Publicação defende planejamento de longo prazo, e ampliação de investimentos públicos e privados, fortalecimento da multimodalidade e adoção de políticas que garantam maior previsibilidade regulatória, eficiência logística e sustentabilidade — Foto: Divulgação “O transporte rodoviário ainda concentra a maior parte da movimentação de cargas no país, o que exige investimentos contínuos em infraestrutura e tecnologia. O diesel representa entre 45% e 50% dos custos operacionais do setor. Por isso, mecanismos como a Taxa Emergencial do Combustível (TEC), aplicados com transparência, ajudam a equilibrar a operação sem repassar a volatilidade de forma abrupta ao cliente”. Atualmente, a CNT representa mais de 198 mil empresas de transporte presentes em 98,1% dos municípios brasileiros, responsáveis pela geração de mais de 2,9 milhões de empregos formais. As diretrizes de “O Transporte Move o Brasil” ganham forma no Plano CNT de Transporte e Logística 2026, estudo que identifica intervenções prioritárias para superar os principais gargalos da infraestrutura nacional e orientar investimentos. Em sua sétima edição, o Plano reúne 2.837 projetos — 2.509 de Integração Nacional e 328 de mobilidade urbana —, com necessidade estimada de R$ 2 trilhões em investimentos distribuídos entre os diferentes modos de transporte. A carteira foi elaborada a partir da atualização dos projetos da edição anterior, da incorporação de demandas das entidades filiadas à CNT e da análise de programas estratégicos do governo federal, como o Novo PAC e o Plano Nacional de Logística (PNL 2035). O estudo também incorpora soluções identificadas pela Pesquisa CNT de Rodovias e prioriza intervenções capazes de ampliar a integração entre as modalidades, reduzir custos logísticos, aumentar a competitividade da economia e tornar a infraestrutura mais resiliente e sustentável. Além de mapear as necessidades de investimento, o Plano reforça que a superação do déficit histórico de infraestrutura depende da combinação entre planejamento de longo prazo, ambiente regulatório estável e ampliação da participação da iniciativa privada, complementando os investimentos públicos e acelerando a execução de obras estratégicas para o desenvolvimento do país. 10 propostas para um transporte mais eficiente e competitivo Planejamento: transformar os programas e as políticas de infraestrutura de transporte e logística em políticas de Estado, garantindo continuidade entre diferentes governos. Investimentos: recompor o orçamento público para infraestrutura em todos os modos, priorizando a multimodalidade, e fortalecer o crédito privado para ampliar concessões e privatizações. Relações de trabalho: preservar a negociação coletiva entre empregadores e empregados para definir jornada e escala de trabalho, respeitando as especificidades do setor e incentivando qualificação e produtividade. Segurança pública: endurecer as penas para roubos, vandalismo e violência no transporte, ampliar o policiamento em rodovias, ferrovias e hidrovias e aprovar a PEC da Segurança Pública. Segurança jurídica: garantir previsibilidade nas decisões judiciais por meio de precedentes vinculantes, uniformização da jurisprudência e fortalecimento de mecanismos de negociação para reduzir a litigiosidade. Meio ambiente: promover uma infraestrutura resiliente, ampliar a multimodalidade, renovar frotas com base na economia circular e adequar o mercado de carbono às características do setor. Combustíveis e transição energética: incentivar a diversificação da matriz energética, ampliar a eficiência do transporte, garantir transparência nos preços, reduzir vulnerabilidades no abastecimento e corrigir distorções tributárias. Reformas estruturantes: avançar nas reformas administrativa e tributária, aperfeiçoar os marcos regulatórios do transporte e melhorar o ambiente de negócios. Participação social: fortalecer mecanismos de participação do setor transportador na formulação de políticas públicas, regulações e negociações internacionais, articulando desenvolvimento, sustentabilidade e competitividade. Desenvolvimento humano: preservar a legislação do SEST SENAT e ampliar sua base de arrecadação para fortalecer a qualificação profissional, a transformação digital, a saúde e a segurança no trabalho, a inclusão produtiva de jovens e a participação feminina no setor. Excesso de concentração nas rodovias torna a logística mais cara e vulnerável, segundo a especialista — Foto: Divulgação Planejamento de infraestrutura para reduzir os custos Carteira de projetos foi elaborada com base em critérios técnicos para identificar gargalos logísticos do país Para que o Brasil aumente sua competitividade, é preciso criar um ambiente que ofereça segurança para quem investe e eficiência para quem produz. Essa é a avaliação da diretora-executiva da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Fernanda Rezende, responsável pelos projetos técnicos da entidade nas áreas de transporte, economia e meio ambiente. Segundo ela, transformar o planejamento da infraestrutura em uma política de Estado, ampliar os investimentos públicos e privados, fortalecer concessões e parcerias, garantir segurança jurídica e regulatória e acelerar a integração entre os diferentes modos de transporte são medidas fundamentais para reduzir o custo logístico brasileiro. Matriz equilibrada Fernanda destaca que um dos principais desafios é tornar a matriz de transportes mais equilibrada. Atualmente, cerca de 65% da movimentação de cargas ocorre pelas rodovias, enquanto países de dimensões continentais distribuem melhor esse fluxo entre rodovias, ferrovias e hidrovias. “Uma matriz mais equilibrada reduz custos, aumenta a eficiência da logística e cria condições para um crescimento econômico mais sustentável”, afirma. Aperfeiçoar os marcos regulatórios do transporte de passageiros é uma das propostas da CNT — Foto: Divulgação A carteira de projetos apresentada pela CNT foi elaborada com base em critérios técnicos para identificar os principais gargalos logísticos do país. O levantamento reúne contribuições de programas governamentais, estudos especializados e entidades do setor, formando uma visão integrada da infraestrutura brasileira. Entre as iniciativas com maior potencial de gerar resultados rápidos estão os corredores estratégicos de exportação, a melhoria dos acessos rodoviários e ferroviários aos portos, a expansão da malha ferroviária, o desenvolvimento das hidrovias e os investimentos em mobilidade urbana de alta capacidade. A especialista lembra que a falta de integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos encarece o transporte e reduz a previsibilidade das operações. Outro ponto destacado é a integração logística sul-americana por meio dos corredores bioceânicos. Para Fernanda, esses projetos reduzem distâncias, diversificam as rotas de exportação e aproximam a produção brasileira dos mercados da Ásia e do Pacífico, beneficiando setores como agronegócio, mineração e indústria. “Uma infraestrutura mais integrada fortalece a posição do Brasil nas cadeias globais de valor, amplia a capacidade produtiva, atrai investimentos e oferece mais segurança às cadeias internacionais de suprimentos. Hoje, logística eficiente é um fator decisivo para a competitividade de qualquer país.” Fernanda Rezende, diretora-executiva da CNT — Foto: Divulgação 3 perguntas para Fernanda Rezende O Plano CNT de Transporte e Logística 2026 reúne 2.837 projetos e estima R$ 2 trilhões em investimentos. Qual é o principal recado desse número? Ele mostra a dimensão do desafio logístico brasileiro, mas também evidencia que existe uma agenda estruturada para enfrentá-lo. O Plano apresenta um diagnóstico técnico das necessidades do país e uma carteira consistente de projetos capazes de elevar a competitividade da economia nas próximas décadas. Investir em infraestrutura gera retorno econômico? Sem dúvidas. Estudos da CNT mostram que cada R$ 1 investido pelo governo federal em rodovias gera até R$ 4,64 no PIB do transporte em até 18 meses. E quando esse investimento é realizado pela iniciativa privada, o impacto é de R$ 4,77 em nove meses. Hoje o Brasil depende muito do transporte rodoviário. Onde isso compromete a competitividade? O transporte rodoviário continuará sendo fundamental, mas o excesso de concentração nesse modal torna a logística mais cara e vulnerável. Em países como Estados Unidos, China e Austrália, a participação de ferrovias e hidrovias é muito maior, tornando o sistema mais eficiente.
CNT pede a presidenciáveis que transporte seja prioridade
Documento com agenda estratégica para orientar políticas públicas será debatido durante fórum do setor, dias 18 e 19 de agosto










