Documento da CNI reúne propostas para orientar políticas públicas de longo prazo, com foco na formação de mão de obra qualificada, inovação e redução do Custo Brasil Educação mais conectada às demandas do mercado e aos desafios digitais é um dos caminhos apontados pela CNI — Foto: Divulgação/ Gabriel Pinheiro A qualificação da força de trabalho e a redução dos entraves que limitam a competitividade da economia brasileira estão entre os principais destaques do documento “Construindo o Brasil 2050: a indústria na agenda dos presidenciáveis”, que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou aos candidatos à Presidência da República. Mais do que apresentar reivindicações setoriais, a entidade propõe um conjunto de políticas públicas voltadas ao aumento da produtividade, da inovação e do crescimento sustentável do país. "O objetivo é contribuir para a construção de políticas públicas mais eficazes, alinhadas às necessidades do setor produtivo e da sociedade", afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban. Entre os 18 compromissos apresentados pela indústria, um dos principais é a preparação da força de trabalho para uma economia cada vez mais tecnológica. Para a CNI, elevar a produtividade brasileira passa necessariamente por uma educação mais conectada às demandas do mercado e aos desafios da transformação digital. O documento destaca que cerca de 68% dos estudantes brasileiros não alcançam o nível adequado de aprendizagem em matemática, enquanto a oferta de ensino técnico permanece abaixo da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Diante desse cenário, a entidade propõe ampliar e modernizar o Ensino Médio Técnico, valorizar professores, especialmente nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM), e fortalecer a integração entre educação e setor produtivo. Qualificação para os desafios da nova indústria Outro ponto central é a qualificação contínua dos trabalhadores. A proposta prevê um programa nacional de reskilling e upskilling, com a meta de preparar 14 milhões de profissionais até 2027, em áreas como inteligência artificial, manufatura avançada, logística, tecnologia da informação e transição energética. Também defende a ampliação das parcerias entre escolas, institutos federais, SESI e SENAI, aproximando a formação profissional das necessidades da indústria. "O Brasil precisa preparar sua força de trabalho para uma indústria cada vez mais tecnológica. Ao mesmo tempo, tem uma oportunidade única de liderar negócios ligados à economia verde, graças à sua matriz energética limpa, biodiversidade e potencial de inovação", afirma o presidente da CNI. Para Alban, investir em pessoas é condição indispensável para o desenvolvimento econômico do país. "A indústria manufatureira é a responsável por desenvolver e disseminar tecnologia no país e pelos maiores investimentos e salários. Temos feito muitos esforços na qualificação de mão de obra, tecnologia, inovação e sustentabilidade", destaca. Redução do Custo Brasil A agenda também dedica atenção especial ao enfrentamento do chamado Custo Brasil, conjunto de fatores que reduz a competitividade das empresas instaladas no país. Entre os principais desafios apontados estão a burocracia, a insegurança jurídica, a complexidade regulatória, os gargalos logísticos, os elevados custos de energia e as dificuldades de acesso ao financiamento. "O maior entrave continua sendo o custo Brasil. Estamos falando de um peso que chega a cerca de R$ 1,7 trilhão por ano e que tira competitividade da indústria brasileira tanto no mercado interno quanto no exterior", afirma Alban. O presidente da CNI também chama atenção para os efeitos das altas taxas de juros sobre a atividade produtiva. "Conviver com taxas reais acima de 10% é algo difícil de justificar em qualquer economia que queira crescer. Isso encarece o crédito, trava investimentos e acaba favorecendo o rentismo em detrimento da economia real", avalia. Na área de energia, o diretor de Desenvolvimento Industrial e Economia da CNI, Mario Sergio Telles, destaca que o Brasil reúne vantagens importantes para liderar a transição para uma economia de baixo carbono, mas alerta que distorções ainda comprometem a competitividade nacional. "Temos uma matriz energética limpa e competitiva, mas a energia acaba chegando cara para grande parte dos consumidores. Precisamos enfrentar distorções que elevam tarifas e reduzem a competitividade da produção nacional", afirma. Uma agenda para além dos ciclos políticos Além de propostas para os próximos quatro anos, a CNI defende uma visão de longo prazo para o desenvolvimento nacional. O documento propõe que políticas voltadas à indústria, à inovação, à educação e ao ambiente de negócios sejam tratadas como políticas de Estado, capazes de superar mudanças de governo e garantir previsibilidade aos investimentos. Construída com a participação de federações estaduais, associações setoriais e empresas de diferentes segmentos, a agenda reúne propostas que, na avaliação da entidade, podem fortalecer a competitividade da economia brasileira e criar condições para um crescimento sustentado. Segundo Mario Sergio Telles, o documento é resultado de um processo permanente de diálogo com a indústria brasileira. "A agenda não foi construída especificamente para o processo eleitoral. Ela consolida discussões que a CNI tem continuamente com sua base. Depois de elaborada, a proposta passou por uma ampla rodada de validação junto às federações e associações industriais antes de chegar à versão final", explica. Acesse o material completo na página Construindo o Brasil 2050. Acesse o material completo na página C