A CNI (Confederação Nacional da Indústria) apresentou aos presidenciáveis o documento Construindo o Brasil 2050, com propostas para recolocar a indústria no centro da estratégia nacional de desenvolvimento. No encontro, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado repetiram suas cantilenas: equilíbrio fiscal, ataques ao Supremo Tribunal Federal, privatizações e corte de gastos, como se isso bastasse para reconstruir o futuro nacional.
O diagnóstico da CNI é correto. O Brasil vive perda de densidade produtiva, precisa elevar produtividade, ampliar investimentos, fortalecer ciência, tecnologia e inovação, modernizar infraestrutura e tornar a política industrial política de Estado. A questão decisiva é simples: sem indústria forte, o Brasil não será uma nação soberana.
Esse debate ocorre em um mundo que já não é o da globalização como dogma, nem da crença de que bastaria privatizar, flexibilizar direitos e reduzir o Estado para que o desenvolvimento viesse naturalmente. Não veio. O que veio foi perda industrial, reprimarização, dependência tecnológica e orçamento capturado por juros altos. As grandes potências voltaram a fazer política industrial, disputando semicondutores, inteligência artificial, energia, defesa, dados e cadeias produtivas.







