O Grêmio Recreativo Cruz da Esperança, espaço onde acontecia o tradicional Samba do Cruz, na zona norte de São Paulo, amanheceu cercado por agentes da Guarda Civil Metropolitana. Nesta quarta-feira 29, deve ocorrer a demolição do local pela gestão de Ricardo Nunes (MDB), uma decisão contestada pelos integrantes da associação.

A demolição encerra uma história de 68 anos. A ação de reintegração de posse, autorizada pela Justiça, também marca o fim de uma disputa judicial pelo terreno entre o grêmio e a prefeitura.

O espaço faz parte de uma área da União administrada pelo Comando da Aeronáutica, em razão da proximidade com o Aeroporto Campo de Marte. Segundo relatos históricos do próprio clube e de frequentadores, a utilização começou no fim da década de 1950, após um acordo informal entre moradores, taxistas e a Aeronáutica para a prática de futebol de várzea. Em 2022, no entanto, a área foi foi transferida ao município de São Paulo como parte do acordo de quitação da dívida da União com a prefeitura envolvendo a região do Campo de Marte.

Recentemente, a gestão Nunes cedeu o terreno à iniciativa privada e solicitou a retomada de posse sob a justificativa de que o plano é construir um parque no local. O terreno passou a ser gerido pelo Consórcio Campo de Marte, liderado pela empresa Progen.