Trabalhadores cortavam com britadeiras os topos dos cilindros de concreto de 27 metros de altura na tarde desta segunda-feira (27), formando rasgos na estrutura. Quando um enorme retângulo recortado fica preso à torre apenas pela armação de aço, um trator estica o cabo enganchado ao bloco, guiando a queda do retalho em uma área vazia do terreno.

Com uma demolição lenta e controlada, o conjunto de seis silos que eram o símbolo da favela do Moinho começa a desaparecer da paisagem do distrito de Santa Cecília, na região central da cidade de São Paulo.

A comunidade que existiu por mais de três décadas no terreno que pertencia à União foi removida após um acordo entre as gestões do presidente Lula (PT) e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A área, agora cedida ao governo estadual, deverá receber um parque e uma estação de trens.

Há um ano, mais de 800 famílias que viviam no terreno começaram a ser reassentadas em imóveis totalmente subsidiados pelo poder público. Algumas escolheram apartamentos que ainda não estão prontos e, por isso, recebem um auxílio-aluguel.

Três famílias ainda moram nas suas casas, cercadas por escombros de demolição. Andreia Patrícia, 55, é uma dessas moradores. Na tarde desta segunda, ela estava a caminho do posto de atendimento da CDHU, a companhia de habitação do governo paulista, para pegar a chave do seu futuro apartamento na região central da cidade. "Demorei para sair porque estava faltando a vistoria da Caixa [no imóvel adquirido], mas agora deu certo, vou mudar na quarta-feira", contou.