Compra, avaliada entre US$ 60 milhões e US$ 70 milhões, é um dos maiores esforços conhecidos de Teerã para reforçar suas defesas aéreas de curto alcance desde o início da guerra A bandeira nacional chinesa tremula ao vento sobre o rio Yalu, com edifícios da cidade norte-coreana de Sinuiju ao fundo, na margem oposta, em Dandong, província de Liaoning, China, 8 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/ Maxim Shemetov O Irã deve receber nas próximas semanas a primeira remessa de um lote de até 400 sistemas chineses portáteis de defesa aérea lançados do ombro, disseram à Reuters três fontes com conhecimento do acordo, enquanto Teerã busca reconstruir suas defesas em meio à guerra com os Estados Unidos. A compra, avaliada entre US$ 60 milhões e US$ 70 milhões, é um dos maiores esforços conhecidos do Irã para reforçar suas defesas aéreas de curto alcance desde o início da guerra contra os EUA e Israel, conflito que expôs falhas na capacidade iraniana de proteger instalações militares e infraestrutura estratégica. O contrato prevê a aquisição de entre 300 e 400 sistemas portáteis de defesa aérea (Manpads, na sigla em inglês), incluindo os mísseis chineses QW-12 e FN-16, disseram as fontes. O acordo foi firmado com a Zhongqing Baoshang International Investment, empresa sediada em Hong Kong que, segundo as fontes, atua como intermediária entre o lado iraniano e o fornecedor chinês. Na semana passada, o presidente Donald Trump alertou tanto Pequim quanto Moscou contra qualquer envolvimento na guerra dos EUA contra o Irã, embora tenha dito na ocasião não acreditar que os líderes Xi Jinping e Vladimir Putin estivessem participando do conflito. “[São] dois grandes países que as pessoas mencionam com frequência quando se fala do Irã, [mas que] na minha opinião, não estão participando. Se participassem, seria muito ruim para eles — certamente não seria do interesse deles”, escreveu Trump em publicação na Truth Social. Segundo Trump, o presidente chinês havia garantido a ele em um encontro recente em Pequim que a China não venderia armas ao Irã, incluindo na declaração empresas chinesas. “Considerando nossa relação, acredito em sua palavra e, além disso, também estou fazendo grandes favores a ele”, acrescentou o chefe da Casa Branca. Trump alerta Putin e Xi contra participação na guerra com o Irã — Foto: Reprodução/Truth Social As fontes falaram sob condição de anonimato devido à sensibilidade do assunto. O Ministério das Relações Exteriores do Irã não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou: "As reportagens são completamente infundadas. A China tem desempenhado consistentemente um papel na promoção da paz e no fim do conflito." O Zhong Qing Bao Shang Group, sediado em Pequim e controlador da Zhongqing Baoshang International Investment, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário enviado por e-mail na terça-feira. O Irã busca se rearmar após meses de combates, durante os quais Estados Unidos e Israel atingiram instalações ligadas aos programas iranianos de mísseis, drones e defesa aérea, enquanto Teerã respondeu com sucessivas ondas de mísseis balísticos e drones. O conflito evidenciou a dificuldade de defender instalações militares e estratégicas fixas contra aeronaves avançadas e armamentos guiados de precisão. A entrega de centenas de sistemas Manpads ampliaria significativamente o arsenal iraniano de defesa aérea de curto alcance e evidenciaria o aprofundamento dos laços militares entre Irã e China. As fontes alertaram, contudo, que, embora o acordo tenha sido assinado, os cronogramas de entrega, as quantidades e outros detalhes de implementação ainda podem ser alterados. Segundo o plano acertado entre as partes, as entregas serão inicialmente feitas por via aérea a partir de Urumqi, no oeste da China, seguindo depois por meio do Paquistão até o Irã. As fontes não esclareceram se esse trecho do transporte ocorrerá por via aérea ou terrestre. O braço de comunicação das Forças Armadas do Paquistão (ISPR) afirmou: "As especulações de que o Paquistão esteja envolvido no fornecimento de armas de defesa aérea da China ao Irã são totalmente fabricadas e falsas." Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores paquistanês não respondeu aos pedidos de comentário. China e Irã estudam rotas terrestres para as entregas Embora Teerã tenha investido pesadamente nas últimas duas décadas em mísseis, drones e radares, especialistas militares afirmam que sistemas portáteis de defesa aérea são importantes porque podem ser rapidamente dispersados, operados por pequenas equipes e deslocados com frequência, tornando-os menos vulneráveis do que baterias fixas de defesa aérea. Bandeiras dos EUA e do Irã , barris de petróleo impressos em 3D e um gráfico de ações em alta são vistos nesta ilustração tirada em 23 de março de 2026 — Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Foto de Arquivo Uma fonte europeia da área de segurança afirmou que as autoridades de seu país têm conhecimento de diversos contratos em negociação envolvendo a possível venda ao Irã de sistemas Manpads da série QW, incluindo os modelos QW-12, QW-18 e QW-19. Uma segunda fonte de segurança, baseada no Oriente Médio, disse que o Irã buscava adquirir mísseis QW-12 e QW-18, mas desconhecia que um acordo já tivesse sido concluído. Os QW-12 e FN-16 são sistemas de mísseis superfície-ar guiados por infravermelho e lançados do ombro, projetados para atingir aeronaves voando em baixa altitude, helicópteros e drones. Sua mobilidade permite rápida implantação ao redor de instalações militares, infraestrutura energética e outros locais sensíveis. Analistas de defesa consideram o QW-12 menos capaz do que versões mais recentes da família QW, como os modelos QW-18 e QW-19, mas afirmam que esses sistemas ainda podem oferecer uma camada eficaz de proteção de curto alcance contra drones e outros alvos voando em baixa altitude. Duas fontes de inteligência ocidentais e uma autoridade iraniana afirmaram que Teerã também estudou utilizar rotas terrestres para transportar equipamentos militares chineses e componentes de uso dual de forma mais discreta, reduzindo o risco de interrupções. A aquisição evidencia a contínua dependência da República Islâmica de uma combinação entre produção doméstica de armamentos e fornecedores estrangeiros, apesar de anos de sanções e restrições às importações ligadas ao setor de defesa. A Reuters informou anteriormente que o Irã estava próximo de fechar um acordo separado com a China para adquirir mísseis de cruzeiro antinavio, de acordo com pessoas com conhecimento dessas negociações. A Reuters não conseguiu confirmar se esse acordo foi efetivamente concluído.