O cinema brasileiro deste século viu a proliferação dos documentários, um pouco pelo sucesso crítico e comercial de Eduardo Coutinho, um pouco pelas facilidades, ou menos dificuldades, de orçamento e editais.

Um filão compreensivelmente prolífico do gênero é o retrato biográfico de alguém ligado às artes, vivo ou morto, seja escritor, músico, cineasta ou coisa que o valha.

Passeando pelas memórias e escritos de Ignácio de Loyola Brandão, "Não Sei Viver Sem Palavras", dirigido por seu filho, André Brandão, é um filme bem mais quadrado do que a obra do escritor. E, quando procura algum desvio, fica sempre ameaçado de sair dos eixos.

Loyola é colocado numa cadeira no centro de uma praça ou na plataforma de uma estação ferroviária. Quando é filmado de frente, todo o fundo fica fora de foco, de acordo com a atual moda de sonegar do espectador boa parte do espaço fílmico. Quando é filmado lateralmente, vemos o fundo perfeitamente.

Muitas fotos são mostradas no decorrer do documentário biográfico. Belas fotos, históricas, contam muito do passado. A não ser quando é inserido um efeito que coloca movimento dentro delas. Desvio, indesejável deformação. Conta muito do mundo contemporâneo.