Vencedor de diversos prêmios no Grande Otelo, o longa marca a trajetória do ator, que relembra a preparação para interpretar Marco de Maria e defende que figuras históricas brasileiras sejam redescobertas pelo cinema 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Bruno Montaleone revela personagens brasileiros que gostaria de interpretar no cinema — Foto: Fabio Audi Poucos meses depois de viver um dos papéis mais desafiadores de sua carreira, Bruno Montaleone começa a acompanhar os efeitos de um trabalho que o levou para um dos momentos mais particulares do cinema brasileiro recente. Em "Homem com H", cinebiografia de Ney Matogrosso dirigida por Esmir Filho, o ator interpreta Marco de Maria, personagem que atravessa parte importante da trajetória do cantor. O longa chegou ao Prêmio Grande Otelo com 12 indicações e deixou a cerimônia com seis troféus, entre eles o de Melhor Filme pelo Júri Popular. Para Bruno, a repercussão do filme representa também o encontro do público com uma história que, desde as filmagens, já lhe parecia especial. "Sempre disse que o Ney merece todas e as maiores homenagens, então acredito que todas essas indicações significam que as pessoas puderam sentir um pouco da magia que eu senti no set, que nós conseguimos transmitir isso através do nosso filme", afirma. O reconhecimento de "Homem com H" acontece em um momento de interesse renovado pelas cinebiografias no Brasil. Histórias de músicos e outras figuras da cultura nacional têm ocupado espaço nas salas de cinema e aproximado diferentes gerações de personagens que fazem parte da memória do país. Para além do longa sobre Ney Matogrosso, filmes sobre nomes como Cássia Eller, Chorão e Elza Soares também colocaram em evidência um gênero que transforma trajetórias conhecidas em narrativas para o cinema. Foi justamente nesse universo que Montaleone encontrou um dos processos mais exigentes de sua carreira. Interpretar Marco de Maria significava dar vida a alguém que existiu e cuja história, para o ator, exigia mais do que uma composição bem executada. "Esse processo todo foi um turbilhão para mim. No começo, já senti uma responsabilidade pelo simples fato de interpretar uma pessoa que de fato existiu. Quando me deparei com a história de Marco e o que ela poderia representar para muita gente, me afetou ainda mais. Queria honrar sua história e ser fiel à sua pessoa, como eu acho que ele merece", conta. A preparação também mudou a maneira como ele passou a encarar a própria insegurança diante de um personagem. Em vez de buscar controle absoluto antes das filmagens, Montaleone percebeu que parte do trabalho estava justamente em chegar ao set disposto a abandonar o que havia sido planejado: "Nosso processo é quase sempre sobre altos e baixos para chegar no momento de gravar e você simplesmente deixar tudo isso ir. E fui muito feliz assim. Acho que dessa experiência levo que a gente realmente nunca vai estar 100% seguro, e isso é algo positivo." Bruno Montaleone revela histórias brasileiras que gostaria de ver nas telas — Foto: Fabio Audi A experiência ainda despertou no ator uma curiosidade sobre outras trajetórias brasileiras que poderiam ganhar uma versão para o cinema. Entre as possibilidades, ele cita Machado de Assis e imagina como seria reconstruir não apenas a vida do escritor, mas também o Rio de Janeiro em que viveu. "Existem tantas figuras que dariam uma baita cinebiografia. Imagina um filme dedicado a contar a história de Machado de Assis? O quão rico isso seria? Imagina a recriação do período histórico, as vestimentas da época, a prosódia, o Rio de Janeiro antigamente… Eu já começo a pirar", destaca. Outro nome que entrou recentemente em seu radar é o de Nísia Floresta, educadora e escritora considerada uma das pioneiras na defesa dos direitos das mulheres no Brasil. Bruno relata que conheceu mais sobre a trajetória da autora e vê nela uma dessas figuras que ainda podem ser revisitadas pelo audiovisual. "Li recentemente também sobre Nísia Floresta, uma escritora que defendia o acesso à educação igualitária e a autonomia das mulheres em 1832. Acho que existem heróis, vilões e figuras importantes nas artes, na política e na literatura que devem ser 'redescobertas' por nós brasileiros e talvez assim possamos entender melhor quem somos como indivíduos e sociedade", completa. Bruno Montaleone aponta figuras brasileiras que merecem ser redescobertas pelo cinema — Foto: Fabio Audi Se "Homem com H" o levou para uma história real e para um período marcante da cultura brasileira, seu próximo trabalho no cinema parte para um universo bastante diferente. Bruno está no elenco de "Encontrada", sequência de "Perdida", produção da Disney baseada na obra de Carina Rissi. Ao lado de Giovanna Grigio, que retorna como Sofia, o ator forma o par romântico central da trama, agora em uma nova etapa da história do casal que conquistou os leitores da autora.
Das 12 indicações de 'Homem com H' ao desejo de ver Machado de Assis no cinema: Bruno Montaleone fala sobre o futuro das cinebiografias
Vencedor de diversos prêmios no Grande Otelo, o longa marca a trajetória do ator, que relembra a preparação para interpretar Marco de Maria e defende que figuras históricas brasileiras sejam redescobertas pelo cinema








