"Tenho muita vergonha de falar com as pessoas, de entrar em suas casas –não tenho talento natural para ser documentarista." E, no entanto, a autora da frase, a cineasta argentina Lucrecia Martel, superou a insegurança e no ano passado dirigiu um, "Nossa Terra", exibido no último Festival de Veneza.

Famosa por um cinema ficcional intimista, mas sempre alerta para os meandros do funcionamento da sociedade de seu país, a diretora há anos vinha acompanhando o sério problema fundiário envolvendo a comunidade Chuschagasta, população indígena do noroeste argentino que sofre com a usurpação de suas terras pela elite agrária local. Sentiu-se impelida a contar sua história, mesmo que em um formato que ela diz não dominar.

O longa é um dos destaques da 15ª Mostra Ecofalante, que estreia tem início nesta quinta (28), com foco em obras de temática progressista, de áreas como ecologia, feminismo e questões coloniais.

Entre os 104 filmes programados, estão "Rompendo Rochas", de Sara Khaki e Mohammadreza Eyni, indicado para o Oscar de melhor documentário, sobre uma mulher que se tornou liderança em um povoado no Irã, e "O Grande Lago Salgado", de Abby Ellis, coproduzido por Leonardo DiCaprio, sobre uma ameaça ecológica em Utah, nos Estados Unidos.