A Cinemateca Brasileira promove, a partir desta quarta (15), a "Retrospectiva Joaquim Pedro de Andrade e Federico Fellini", com um diretor incontornável do cinema novo brasileiro e o diretor italiano mais famoso de todos. O que suas obras teriam em comum, além da admiração do brasileiro pelo italiano?
"O Padre e a Moça" tem algo do primeiro Fellini, aquele mais ligado ao neorrealismo, período que se encerra com "Noites de Cabiria". "Macunaíma" tem elementos fellinianos, como a loucura introduzida em sua estrutura, o onirismo e o aspecto circense de alguns trechos.
Podemos dizer que o caráter episódico de "Guerra Conjugal" tem parentesco com as estruturas em blocos narrativos independentes que Fellini burilou a partir de "A Doce Vida". E que "Os Inconfidentes" parte de uma visão da história semelhante à que observamos em "Satyricon" —crítica e banhada em poesia da melhor estirpe, com apurado senso estético.
Independentemente das semelhanças, qualquer pretexto é válido para a exibição de filmes desses dois grandes cineastas, ainda mais que as novas gerações tendem a subestimar a força do cinema novo e a desprezar a capacidade de invenção de Fellini, tratando-o como excessivamente autoindulgente.







