O primeiro filme de Abbas Kiarostami que Kleber Mendonça Filho se lembra de ter visto foi O Vento Nos Levará (1999), em que o realizador iraniano dizia ter tido a coragem de mostrar o nada.
“Essa coragem era estimulada pela confiança que deposito no espectador, especialmente nestes tempos em que o cinema procura conquistar o público mostrando-lhe tudo”, afirmou ele em uma conversa com Alberto Barbera e Elisa Resegotti, reproduzida no livro Abbas Kiarostami (Cosac Naify, 2004).
Na década de 1990 o cinema iraniano tinha no Brasil uma presença que, se não chegava a ser grande, era, no mínimo, marcante. E Kiarostami assumia, dentro dessa onda, o lugar de mestre.
Tem, portanto, um quê de reencontro com a própria cinefilia brasileira a mostra Abbas Kiarostami em Retrospectiva, que começa na sexta-feira 17 no IMS Paulista e reúne 28 filmes realizados entre 1970 e 2017 – o diretor morreu em 2016, e um deles, 24 Frames, é póstumo. As cópias, restauradas, foram fornecidas pela MK2, coprodutora francesa de O Agente Secreto (2025), de Mendonça, que é também curador de Cinema do IMS.
Ao falar sobre a retrospectiva que exibirá 13 títulos nos três primeiros meses e apresentará novos programas mensalmente até dezembro, Mendonça evoca Leon Cakoff, criador da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.






